sábado, 4 de março de 2017

Animê: Kill La Kill


Sinopse: Uma estudante se transfere para uma nova escola na esperança de descobrir quem assassinou seu pai e vingá-lo.

Provavelmente o nome do animê não faz muito sentido, mas em uma pequena busca pela internet é possível achar algumas possibilidades de dar algum sentido: do japonês, Kiru (Kill) pode significar matar (キル), corte/cortar (切る) ou vestir/desgaste (着る), logo, em uma adaptação bem ralé para o português, podemos considerar como vestir para cortar ou vestir para matar. E o que isso tem a ver com a história? TUDO! Porque é exatamente isso que os personagens fazem. Além disso, quero deixar claro que para assistir tal animê é necessário a mente aberta para entender a história e estar ciente que tem MUITO ecchi!


Matoi Ryuko é uma colegial de 17 anos que se transfere para a Academia Honnouji após a morte de seu pai, o cientista Matoi Isshin, tentando descobrir quem é seu assassino. A premissa é manjada? Sim. A personagem é sexualizadíssima? Nossa, nunca tinha visto uma sexualização tão descarada na minha vida, porém tem uma razão plausível também inclusa no enredo. Certo dia, voltando para sua antiga casa, Ryuko cai em um depósito cheio de entulhos e uma espécie de uniforme gruda em corpo assim que ela deixa cair uma gota de seu sangue sobre ele. O que Ryuko não sabia é que este era o último trabalho de seu pai e feito sob-medida especialmente para ela. Ryuko é o tipo de personagem durona que a gente ama e é muito difícil largá-la, mesmo depois que já tenha acabado o animê. É uma garota carente de afeto, entretanto, muito corajosa, briguenta e agressiva. Ryuko é um exemplo de mulher a ser seguido, pois tem uma força interior e determinação invejáveis a qualquer ser humano.


Kiryuin Satsuki é a diva maravilhosa vilã que na verdade não é vilã, mas que a gente também ama muito. Satsuki é herdeira do conglomerado Kiryuin, que basicamente mandam em tudo apenas sendo donos de uma marca de roupas, REVOCS, e da Academia Honnouji. Satsuki é uma líder nata e com punhos de aço é capaz de conquistar o mais terrível dos exércitos ao lado de seus quatro fiéis escudeiros. Temida por todos, representa o mais alto escalão dentro da escola e responde por sua mãe dentro da mesma. No entanto, por baixo da casca, Satsuki é apenas uma garota triste e enfurecida que deseja que haja mais justiça no mundo e para isso terá que enfrentar a própria mãe, a representação do mal encarnado.


Por incrível que pareça, o uniforme de Ryuko, Senketsu, também é um personagem. De uma inteligência e cuidado para com sua portadora excepcionais, Senketsu é um personagem extretamente necessário e nada bobo, aliás, por vezes, ele se parece com a figura paterna que Ryuko sempre desejou ter mais presente em sua vida. Diferente das outras roupas fabricadas com o que chamam de Fibras de Vida - que é uma espécie de linha alienígena com vontade própria e que dá poderes aos humanos quando utilizadas em quantidade miníma (cerca de 10% a 30% do total na peça) na produção de roupas -, Senketsu é um Kamui - Manto Divino -, ou seja, inteiramente feito de Fibras de Vida artificiais com o DNA de Ryuko para que apenas ela possa usá-lo. É bem difícil de explicar com detalhes como a conexão entre ambos funciona, todavia, é bem gostosinho de ver o relacionamento dos dois se desenvolvendo.


Mankanshoku Mako é a melhor amiga humana que Ryuko pôde arranjar. Mako é moradora da favela aos redores de Honnouji devido ao seu desenvolvimento escolar e é filha de uma dona de casa e um médico não licenciado. Ao conhecer Ryuko, já a considera como amiga e a leva para viver em sua casa, afinal, a mesma não tem para onde ir. Por vezes, dá a entender que as duas tem um relacionamento que vai bem além da amizade, porém nada que possa ser comprovado. Mako é a personagem mais engraçada e faz intervenções divertidíssimas durante as lutas de Ryuko, na intenção de sempre dar o melhor conselho a amiga. 


Eu até queria escrever sobre todos os personagens e o quanto cada um deles tem um espacinho especial no meu coração. Todavia, os personagens de apoio funcionam como protagonistas também, afinal de contas, todos tem um papel de muita relevância no desenvolvimento do roteiro, cada um contribui de uma forma ou de outra para que o enredo se torne completo, então, é impossível falar de apenas um ou de alguns sem falar de todos. Por isso, escolho por não entrar muito em detalhes sobre eles, apenas que são personagens muito bem construídos, todos a sua própria maneira de agir e pensar e é uma gama bem diversificada. Em tempos de histórias tão superficiais e mal desenvolvidas, Kill La Kill é um prato de cheio de surpresas mais que maravilhosas.


Confesso que, de início, fiquei bem receosa de assistir porque as figuras femininas são MUITO sexualizadas. Tipo, muito mesmo! E, considerando que vi várias garotas e mulheres fugindo deste animê, ele cumpre com seu público alvo (Seinen: homens entre 18 e 40 anos). Entretanto, há uma explicação plausível para que os chamados Kamuis quando sincronizados com o DNA humano assumem uma forma tão... minúscula. A ideia é que o usuário sinta-se confortável em uma roupa leve e entenda que, para usufruir de todo o poder da roupa, é necessário que faça dela sua própria pele, que ela seja seu próprio corpo e que não há vergonha alguma em mostrá-lo às pessoas. No começo é meio difícil de engolir isso, mas conforme a trama vai avançando fica mais fácil de compreender como realmente funcionam as coisas.


O traçado, as cores, as cenas de luta, a trilha e os efeitos sonoros são muito bem produzidos e envolvem o espectador na atmosfera com facilidade, prendendo a atenção até o último segundo - por exemplo, em todos os episódios, além do cabelo e das roupas de Ryuko que contém detalhes, a cor vermelha está sempre presente em algum momento, na intenção de representar a raiva, vingança, as mortes e o caos que as fibras de vida provocam no cotidiano de todos. Sem contar que o ritmo em que a história se passa é rápido, entretanto, não deixa passar o mais mínimo dos detalhes. São 24 episódios que acabam em um piscar de olhos e que eu não queria que tivessem acabado de jeito nenhum. Há também o mangá com três edições que foi lançado aqui no Brasil há dois anos e conta o começo da história do animê. E tudo o que tenho a dizer para finalizar este post é: UM DOS ANIMÊS MAIS MARAVILHOSOS E INESQUECÍVEIS QUE EU ASSISTI NA MINHA VIDA <3

Mensagem Subliminar:

Se não for pra sair vestida pra matar, elas nem saem de casa.