terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Filme: A Muse/Eungyo


Sinopse: Um escritor de 70 anos se apaixona por sua cuidadora de 17 anos.

A sinopse é muito curta para explicar afundo o turbilhão de sentimentos envoltos neste filme. É diferente de tudo que provavelmente já vimos em outros filmes que abordem este tipo de relação. Considerando que ele é um senhor de 70 anos e ela uma menina de 17, quero que tenham em mente que este sentimento que ele nutre por ela se chama pedofilia... sendo assim, deveria ser um filme mais tenso, desconfortável, mas a beleza e a suavidade com que é retratado não deixa a história cair em lugares comuns pelo menos não de início.


Lee Juk Yo é o tal senhor. Poeta de renome e professor universitário, é um senhor recluso e que conta com a ajuda de seu pupilo. Não temos grandes detalhes sobre sua vida, porém, já nas primeiras cenas, percebe-se que há muito ele já não sente os mesmos desejos que na sua juventude devido a alguns segundos em que ele observa sua nudez em frente ao espelho de seu quarto, como se quisesse entender o que há de errado ou por que não é mais como costumava ser. Tudo muda quando, ao chegar em casa, encontra a jovem Eun Gyo deitada em sua varanda. Mesmo que, em sua mente, fantasie sobre como seria ter uma relação com a jovem, vemos que o idoso também gostaria de poder ser mais jovem para viver tal relacionamento e daí surge o poema com o nome dela.


Eun Gyo é a colegial. Com ares de Lolita, temos uma espécie de releitura repaginada do clássico. Eung Gyo é uma menina que tem um jeito todo encantador de ser. Ela vai a escola e passa suas tardes trabalhando como cuidadora de Juk Yo, já que seu pupilo está ocupado demais para continuar trabalhando para ele. Em momento algum, é visível o interesse da menina em algum relacionamento mais sério com o senhor, afinal, ela ainda é uma adolescente e, apesar de se interessar pelo aprendizado e as vivências que Juk Yo pode compartilhar com ela, gosta de coisas feitas para sua idade, como homens jovens e saias curtas.


O engenheiro Seo Ji Woo é o parasita do triângulo amoroso. Alguém sem talentos e predicados que está disposto a tudo por reconhecimento, até mesmo cobiçar e roubar aquilo não é seu. A insensibilidade é muito presente também, vide as cenas do espelho e quando chama Eun Gyo para lhe levar alguns remédios em casa. Ji Woo é aqueles vilões de dorama que a gente ama odiar, mas que se fazem muito necessário para que a história saia do lugar. Seu fim é trágico, como é de se esperar, entretanto, ao mesmo tempo em que penso que foi o ótimo o acontecido, penso que também foi um desperdício, afinal, ele poderia ser usado para desenvolver a personagem de Eun Gyo em vários aspectos, uma vez que eles desenvolvem um tipo de contato mais próximo na parte final do enredo.


Praticamente não há elenco de apoio, apenas algumas pessoas que vem e vão para que as coisas aconteçam. E, aos poucos, nos envolvemos na trama, que, aliás, vai muito além de um idoso que se apaixona por uma adolescente. Há toda uma atmosfera de criar, aprender e usurpar algo, respectivamente nesta ordem. E em nenhuma cena há uma romantização das situações, apenas vemos Eun Gyo interessada em aprender mais com alguém que já está neste mundo há muito mais tempo que ela e Juk Yo imaginar situações, sofrer por não poder realizá-las, porém aproveitar os momentos que tem ao lado de sua musa. Todavia, os rumos que o enredo toma na parte final perdem um pouco a graça, pois não condizem totalmente um com outro e se tornam recursos mal aproveitados. O filme é bom, a montagem cenográfica é excepcional e há um tom atemporal na obra, como se pudesse se passar em qualquer época tranquilamente apenas mexendo em alguns ligeiros detalhes, sem contar que o trio de atores é maravilhoso, com destaque para Kim Eun Go, lógico.

Mensagem Subliminar:

O gramado do amigo sempre é mais bonito.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Filme: S Diary



Sinopse: Após seu último término de namoro, uma mulher vai atrás de seus ex para descobrir se a amaram.

Ultimamente estou vendo coisas em filmes e dramas asiáticos que jamais imaginei que veria algum dia em material do tipo. E não só nos mais atuais, como também nos mais antigos, como é o caso de S Diary e todo o seu poder de nos envolver em uma história de auto-descoberta mais adulta e triste. Talvez trazendo um pouco do clichê dos doramas colegiais, porém isso não é suficiente para tornar este filme tão ignorável ou dispensável em nossas listas. Aliás, quem pode perder a oportunidade de ter outro vislumbre de Kim Sun Ah sendo a Bridget Jones mais amada da Coréia?


Jini é uma mulher em meados dos 20 anos e procura amor e atenção em relacionamentos que não lhe oferecem nada mais que trabalhos domésticos e sexo. Após um término insensível, onde seu atual/ex lhe planta algumas dúvidas sobre quem ela é e como age dentro de um relacionamento, a mulher parte em uma busca minuciosa por suas lembranças para entender como eram seus outros três namoros e por que acabaram. Lendo seus diários e perguntando diretamente para seus ex-namorados, chega a uma conclusão que não queria, entretanto, era o esperado - por ela e pelo público. Kim Sun Ah, mais uma vez, está maravilhosa em sua personagem e se sai muito bem nas mais diversas situações. Trágica e cômica, consegue passar toda a tristeza, ansiedade e aflição durante as várias fases da juventude de Jini.


Goo Hyun é o primeiro crush de Jini. Maestro do coral da igreja em que Jini participava quando adolescente, sua vontade era de se tornar padre, o que veio a se tornar realidade algum tempo depois. Jini, na intenção de atrair os olhos do mocinho para si, mente para a mãe que tem dificuldades em inglês para que ele possa lhe dar aulas particulares. No maior clima de deixa a vida me levar, Hyun dá uns amassos em Jini quando estão sozinho em casa, no entanto, se arrepende, põe a culpa na garota e some. Claro que, quando Jini resolve se vingar dele, ela não deixa barato e lhe dá o troco a altura. 


Jeong Suk é o segundo namorado. Abusivo, sem emprego, exibicionista e ama apenas sua moto. Faz com que Jini faça desde o serviço doméstico até às compras para sua casa, por nunca ter comida em sua geladeira, e suas lições da faculdade. Jeong Suk é o clássico homem que quer apenas uma mulher que lhe sirva e "aqueça sua cama", se é que me entendem. Quando menos se espera, abandona Jini para se casar com a filha de um homem rico, que conheceu em um encontro às cegas. No futuro, ao se recusar a cumprir com as condições que Jini impôs a ele e aos outros, é um dos que mais sofre as consequências - engraçadíssimas, por sinal.


Yoo In é o a terceira decepção terceiro amor. É um grafiteiro de mão cheia e usa isso para conquistar Jini, fazendo um retrato dela em um muro na cidade. Diferente dos outros, Yoo In, inconscientemente, deixa claro desde o início as suas intenções para com Jini, afinal, era um filhinho da mamãe e não podia se envolver em um relacionamento sério sem que a matriarca lhe mandasse para o exército. De todos os relacionamentos, percebemos que este é um dos mais divertidos de Jini, pois Yoo In não era maduro e também não cobrava isso dela, apesar de que, geralmente, ela também fazia o serviço doméstico já que ele não se importava se a casa/porão estava suja ou não. O relacionamento acaba quando Jini "descobre" que ele a estava traindo, coisa que ela - e nós também - já imaginávamos.


Vendo os cartazes e alguns recortes de vídeos no youtube, a primeira impressão que se tem é que o filme é uma safadeza sem fim, mas não precisa tirar as crianças da sala, é tudo bem leve. Um dos poucos defeitos do filme foi a duração, que é de quase duas horas. Às vezes, se tornava cansativo e sem muito conteúdo para tal duração e, muitas vezes, pensei que estava próximo ao fim e não estava. Os personagens secundários foram apenas isso, secundários. Não interferiram muito na história e serviam apenas como suporte porque não tem como desenvolver um enredo deste com apenas uma personagem. E o que se torna louvável na produção é a evolução da personagem principal, que de adolescente vai a uma jovem adulta confusa, ansiosa e sedenta por vingança até chegar ao estágio de mulher que aprendeu com os próprios erros.

Mensagem Subliminar:

O que os olhos não viram e o coração não sentiu, a gente fuça até achar.

Dorama: Hello, My Twenties/Age of Youth



Sinopse: Cinco garotas dividem uma casa entre tapas e beijos.

Este é mais um da série: doramas que vou levar para a vida dentro do meu coraçãozinho. Não é triste nem feliz ou fofo demais. Tudo é equilibrado, na medida certa para não enjoar. As personagens são bem desenvolvidas e não temos uma protagonista e, sim, cinco, focando cada episódio em uma delas e em seus conflitos pessoais. A bem da verdade é que Belle Epoque ficou pequena para tantas tretas em alguns determinados momentos.


A história começa quando Yoo Eun Jae vai morar na pensão da tia ruiva Belle Epoque junto com as outras quatro meninas. Diferente das outras, a mais nova moradora é introvertida, do interior e não consegue, de primeira instância, se adaptar aos costumes das outras, principalmente de sua colega de quarto, a qual ela só chega a conhecer dias depois de ter se mudado pelo fato de que a outra é a mais velha, tem dois empregos e está terminando a faculdade. Eun Jae é misteriosa em relação ao seu passado, que só vem à tona quase no fim da história.
Confesso: nunca tinha visto Park Hye Soo em drama nenhum, porém a achei perfeita para este tipo de papel. Inúmeros foram os momentos em que senti pena de sua personagem ou quis apertá-la de tão fofa que ela era. Sem falar que é possível, aos poucos, se envolver com a personagem a ponto de sentir os conflitos da mesma como se fossem seus.


Jung Ye Eun é o tipo de garota mimada que todos os roteiristas acham necessário ter no enredo. A única diferença entre ela e as outras é que é possível amá-la, sim! Por mais terrível que isso pareça, Ye Eun é aquela amiga patricinha que, vez ou outra, temos vontade de socar, mas é impossível não gostar dela. A garota é fofa, toda moderninha e cheia de manias, no entanto, é uma das que mais sofre calada dentre todas. Jung está em um relacionamento abusivo e, considerando que apenas ela não consegue se dar conta, as amigas começam a ficar extremamente preocupadas com as situações que passam de corriqueiras à gravíssimas em um piscar de olhos. Foi a ilustração perfeita de o que é, como se origina e quais são as consequências da violência contra a mulher. Quanto a isso, a atriz, Han Seung Yeon, ex-KARA, foi excelente, demonstrando toda a ansiedade, medo e o transtorno os abusos físicos e psicológicos podem causar em uma pessoa.


Song Ji Won é a MIGA SUA LOUCA do rolê. Bebe todas, não é a pessoa mais educada do universo, sempre a caça de algum homem que aceite ser seu namorado, o único instrumento que ela é capaz de tocar é o terror... sem sombra de dúvidas, A MELHOR PERSONAGEM DO DORAMA INTEIRO! Ji Won faz jornalismo - por que será que gostei dela? -, trabalha no jornal da faculdade e é uma mentirosa compulsiva. Mesmo na personagem mais engraçada é possível notar que há um distúrbio, pois Ji Won é incapaz de entender que nem sempre as coisas são como ela quer que sejam, inclusive a realidade. A aprendiz de Nelson Rubens ok ok inventa história absurdas na intenção de tornar o cotidiano mais interessante sem medir as consequências que podem acarretar.
Apesar de extensa carreira de Park Eun Bin, não assisti nenhum dos dramas que ela fez, sendo que o mais popular foi Dream High - sim, nunca assisti Dream High! -, mas, depois de vê-la em Hello, My Twenties, entendi porque seu currículo é tão grande e começa tão cedo. Um ótima atriz, apenas isso.


Kang Yi Na parece rica. Tem tudo o que quer, na hora que quer, não trabalha ou estuda e é a única que tem um quarto só para si, ou seja, paga bem mais que as outras de aluguel. Assim como todas as outras, Yi Na tem um segredo, que não fica oculto por muito tempo: ela se prostitui. Sinceramente, não pensei que ia viver o suficiente para ver um dorama abordar a prostituição de uma forma cotidiana e não como uma mulher que está num determinado espaço, onde trabalha vendendo seu corpo ou informação para homens em filmes de ação. Yi Na é uma acompanhante de luxo. Em troca de uma vida confortável, a mulher assume o papel de namorada do homem até que este comece a lhe trazer problemas e ela tenha que embarcar em outro bom negócio. Simples assim. Ryu Hwa Young deu o tom de naturalidade necessário para a personagem, sem muitos excessos, tinha uma vida dupla, entretanto, uma não afetava a outra. Mais para o final da história, vemos Yi Na resolvendo lidar com as mesmas coisas que as amigas: trabalho e faculdade. Pois ela decidiu que era hora de deixar a vida que levava.


Por último, temos Yoon Jin Myung, a trabalhadora do grupo. Sendo a mais velha, é a que já está quase se formando, todavia, não para em casa não só pela faculdade, mas pelos seus dois empregos também, por isso, ela e Eun Jae se conhecem apenas dias depois de já estarem dividindo o quarto. Jin Myung sofre em silêncio. A mãe a ignora a anos porque passou os últimos seis anos cuidando do irmão em estado vegetativo; é constantemente humilhada em um de seus empregos pelo gerente; tem pouquíssimo tempo para descanso. Jin Myung é a guerreira que todo drama precisa ter. Aos poucos, pode-se notar os pequenos atritos que surgem entre Yi Na e ela, pois uma trabalha até a exaustão para ter o mínimo e a outra tem um vida fácil e regalada.
Han Ye Ri trouxe um ar mais sério a produção. Claramente mais velha que as outras companheiras de elenco,Ye Ri tem marcas de expressões bem condizentes com seus tipo de personagem e acrescenta e muito com seu tom pouco descontraído, muitas vezes, sisudo e alheia ao que acontece ao seu redor por não permanecer tempo suficiente em lugar nenhum para saber o que de fato está acontecendo.


Tem também os machos da produção. Um para cada uma, claro, porque toda panela tem sua tampa. Temos o colega de faculdade de Eun Jae, o macho escroto de Ye Eun, todos os homens com que Yi Na se relacionou, incluindo o amigo prostituto e o tiozão lá, o chefe escrotão e o cozinheiro salvador de dozelas de Jin Myung. Não vou detalhar sobre eles, afinal, o enredo também não faz isso. Os homens funcionam apenas como peça-chave para que as situações aconteçam na vida das mulheres, como agentes desencadeadores de determinados momentos. Eles têm lá sua importância, porém não são a parte principal, que é mais focada no convívio das meninas em si.


Apesar da leveza com que os episódios passam, o enredo tem muitas partes pesadíssimas, que nos fazem repensar como a vida adulta funciona. Os acontecidos encurralam as garotas de formas arrebatadoras e as deixam sem chão para que possam refletir e encontrar uma saída juntas, provando que andando sozinha elas vão bem, mas acompanhadas vão muito melhor. Talvez o roteiro não tivesse muitas pretensões além de ser interessante e entreter seu público durante sua exibição. Ou talvez ele fosse ambicioso o suficiente para provar algo para as pessoas e expor problemas que estão em nosso dia-a-dia e nem percebemos. Seja como for, é ótimo ter um revigor assim na teledramaturgia coreana.

OBS final: ~rufar de tambores~ foi anunciado no começo do ano (2017) que VAI TER SEGUNDA TEMPORADA, SIM!

Mensagem Subliminar:

Resolução dos problemas em geral: junta as amigas e bebe que passa.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dorama: Uncontrollably Fond (mais um post super mega power grande porque é necessário)


Sinopse: Um ator/cantor tenta consertar a vida de todas as pessoas ao seu redor e reviver uma paixão de 9 anos antes de morrer.


De alguma forma, o drama tem um ar de documentário mas óbvio que não é. A história gira em torno de uma celebridade, Shin Joong Young, com uma doença terminal e que resolve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para fazer com que as pessoas ao seu redor fiquem bem quando partir. Tirando este pequeno resumo o enredo principal, Uncontrollably Fond parte de uma premissa já bem manjada em comédias românticas: garota pobre e cara rico. Sim, já falei isso em The Heirs e em várias outras resenhas, pois este é basicamente o material que a Coréia mais produz como drama.


Shin Joong Young é o dito cujo. Ator/cantor e todas aquelas outras profissões que nós sabemos que as empresas obrigam seus contratados a terem, Joong Young largou a faculdade de direito para se tornar uma estrela e ter a chance de dar uma vida melhor para sua mãe, que, por sua vez, odiou a decisão do filho e não fala com o mesmo há cinco anos. Só esta parte da história já é suficiente para fazer com que tenhamos pena do pobre moço, porém ainda tem muito mais. Recentemente, descobriu que possui um tumor cerebral muito avançado, o que só pode significar uma coisa: vai morrer! Dada a sentença, Joong Young parte em uma busca incessante para se manter saudável e provar ao médico que ele estava errado, reconquistar sua mãe, continuar próximo aos amigos e, por último, mas não menos importante, reencontrar seu amor dos tempos de escola.
Kim Woo Bin estava brilhante no papel, como tenho quase certeza de está em todos os outros, entretanto, não custa nada pra gente relembrar sempre.


No Eul é a nossa batalhadora. Em uma versão 2016 de Go Eun Chan, No Eul é órfã, não tem ensino superior e, para sustentar seu irmão mais novo, aceita qualquer tipo de trabalho — ou suborno! Nossa prota da vez é o clichê da maioria das mocinhas juntas, tirando a parte de ser bobinha, afinal, quem passa a perna, muitas das vezes, é ela... conheceu Shin Joong Young nos tempos de escola e era apaixonada por ele, no entanto, guardou apenas para si pelo fato de que sua melhor amiga também alimentava tal sentimento. E, ao contrário do que outras resenhas/sinopses que li sobre o dorama, não, Joong Young e Eul não chegaram a namorar de verdade, era um relacionamento fake só para que ele pudesse fugir das garotas da faculdade, o que não significa que não pudesse gostar dela também.
E, diferente do que as pessoas pensam, não acho que Suzy tenha se saído mal no papel, muito pelo contrário. Creio que ela foi bem, me irritou em alguns momentos, mas qual mocinha não irrita vez ou outra, né, queridos? Como já disse na resenha de Big, Suzy é ótima no papel de mocinhas legais que não são tão bobinhas, lhe cai como uma luva.



Aí diante de personagens tão bem construídos, temos o indeciso de Choi Ji Tae, que no começo era Hyun Woo e depois descobrimos que só se fazia de pobre para se enturmar com No Eul e seu irmão... bombástico ou não, ainda tem mais: Ji Tae e Joong Young são irmãos, porém não de sangue! Como isso é possível? Vou entrar nisso em breve. Ji Tae, além de indeciso, é um personagem tedioso, nunca sabe o que está acontecendo e está sempre na sombra dos pais. O que tive toda vez que ele aparecia em cena? Vontade de surrá-lo. A parte boa é que na reta final ele garra vergonha na cara e começa a ter atitude. Sobre o ator não tenho nada a declarar, afinal, com um personagem deste não tem muito o que fazer, logo, não há como se destacar...



Yoon Jeong Eun foi uma das nossas vilãs. Sim, uma das porque temos uma pequena gama de vilões neste drama, acreditem ou não. Jeong Eun é uma garota rica, mimada, filha de um cara importantão da Coréia provavelmente além de político CEO porque lá só tem CEO e que é apaixonada pelo mesmo cara há 20 anos. Ji Tae é o nome deste cara. Ambos foram prometidos em casamento muito cedo graças a uma negociação de seus pais e ela estaria dando pulinhos de alegria se não fosse pelo surgimento de No Eul na vida do noivinho. Jeong Eun, por mais chata que seja, é uma peça chave na história por ter sido responsável pelo acidente que levou o pai de Eul a morte!
Nunca na história da Coréia Im Joo Eun me chamou a atenção, mas desta vez até consegui engoli-la em cena pelo fato de que sua personagem tinha alguma relevância no enredo e a equipe encarregada dos testes de elenco deveria direcioná-la para mais personagens revoltadinhos, ela é mais suportável quando está gritando e revirando mesas de restaurante.



Temos também a mãe de Shing Joong Young, Shin Young Ok. Uma mulher sofrida, que criou o filho sozinha devido às circunstâncias nada comuns: engravidou de um cara rico, sendo que ela era pobre. Quem era o cara rico? Choi Hyun Joon, o pai de Ji Tae. Young Ok foi uma personagem difícil de amar. Era visível o esforço de Joong Young para voltar às boas com a mãe, no entanto, a mulher não estava nem um favorável, uma vez que o filho desistiu de se tornar o promotor que ela sempre quis, na esperança de poder mostrar a Hyun Joon que pôde criar seu filho muito bem sozinha. De toda a forma, consegui entrar nessa atmosfera e compreender um pouco seu ponto de vista.



Choi Hyun Joon foi o personagem mais ambíguo de todos. Nele, é possível perceber as nuances mais obscuras de um homem de bem. É um promotor de renome, político e um pai de família dito exemplar. Quase um Bolsonaro da vida. Devido ao bom matrimônio a que tinha prometido seu filho, acobertou o crime de Jeong Eun e obteve apoio político em sua campanha muito bem-sucedida. Todavia, com o decorrer dos episódios, percebemos que Hyun Joon não é de todo mal, apenas um ser humano influenciável como muitos outros e que, pouco a pouco, começa a perceber a gravidade de seus atos. Tirando Kim Woo Bin, eu diria que Yoo Oh Sung foi o que melhor desenvolveu seu personagem, que tinha várias facetas, ora boa, ora má e é necessário muita desenvoltura para perambular entre um e outro sem que se torne caricato ou risível.



E temos a boss do bagulho todo, Lee Eun Soo. Esta mulher atormentou o juízo de todos até não poder mais. Ofereceu dinheiro para todo mundo, atropelou o próprio filho, fingia que estava com dor, mentia com a ajuda do médico que estava em situação grave... tudo que você possa imaginar essa barbiezinha fez. Eun Soo é esposa de Hyun Joon e mandante da quadrilha, vive jogando na cara do marido que ele só está na atual posição porque ela o pôs lá. Miga, só quero te informar que esta posição que você o colocou foi cilada! A personagem me irritou? Muito! Mas eu gostei? Claro que sim. Nunca vi uma vilã tão fogueteira em dorama! Quero mais dessas.



Fora toda a galera já citada acima, temos o elenco de apoio. E que elenco de apoio, minha gente. Como casal açucarado mais lindo e maravilhoso de todos os tempos temos No Jik, irmão de No Eul, e Choi Ha Ru, filha do casal bandidão da quebrada e irmã de Ji Tae/Joong Young fãzona deste último. Tivemos também a amiga de No Eul, Go Na Ri, e a equipe de Joong Young que foram de extrema importância para o andamento da história. Eram várias conexões entre os personagens, mas que funcionavam e não ficavam com significados perdidos ou esquecidos durante da trama.



No geral, Uncontrollably Fond é um drama que impressiona pela beleza dos cenários, pelas boas sacadas no roteiro, personagens bem desenvolvidos — olhas esses vilões! —, um ritmo bem próprio de contar a história e pela fotografia mais que maravilhosa. Em certos momentos, há uma decaída no andamento, porém logo se recupera e retoma de onde estava. A melhor parte foi que o roteiro cumpre aquilo que já estava previsto desde o início, sem plot twist sem pé nem cabeça. O casal principal foi uma combinação ótima visualmente e, mesmo que não tivesse uma química estrondosa em tela, tínhamos algo mais bem pensado: o fato de não haver tanto clima entre eles se dá por eles terem passado mais tempo separados do juntos desde que se conheceram. Juntos mesmo ficaram os dois últimos episódios, isso quando Shin Joong Young não esquecia até quem ele era!

Mensagem Subliminar:

Não faça ao seu vizinho que o seu vem a caminho.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dorama: The Heirs



Sinopse: Uma menina pobre conhece um cara rico em uma viagem e, ao voltar para casa, descobre que sua mãe é empregada na casa da família dele.

A premissa de The Heirs é basicamente aquilo que a Coréia mais produz desde, sei lá, sempre: uma garota pobre que conhece o cara rico, eles se apaixonam, mas as circunstâncias - ele é rico, ela não - impedem que os dois fiquem juntos. Por incrível que pareça, é um enredo que, na maioria dos casos, funciona porque mexe com o imaginário das pessoas sobre ascender a sociedade de uma maneira mais prática e rápida. Soa insensível da forma que coloquei, porém é a realidade.


Cha Eun Sang é a dita cuja. É uma estudante do ensino médio, tem uma irmã mais velha pilantra, que pega a maior parte do dinheiro da família desde que foi embora para os Estados Unidos - ah, vá que ela foi pros Estados Unidos? - e uma mãe que é muda e trabalha de emprega doméstica em uma casa há anos por não conseguir outros empregos devido à sua deficiência. Eun Sang é a menina sonhadora, que deseja ser igual a irmã, que supostamente faz faculdade e tem uma vida boa no exterior, por isso, quando a oportunidade surge, não conta tempo e embarca no primeiro avião, rumo à casa da irmã. Obviamente chegando lá, se decepciona, descobre que era tudo mentira, é roubada, entretanto, conhece o divo que irá atrapalhar sua vida pelos próximos 20 longos capítulos. Ao retornar, descobre que o tal cara é o filho do patrão de sua mãe e, como parte dos planos do sogrão, acaba indo estudar na mesma escola caríssima que o crush e uma cambada de herdeiros de outras famílias. Tenho certeza de que não é segredo para ninguém meu amor pela Park Shin Hye, mesmo que digam que ela é sem sal, sonsa, flopada, etc... nada disso importa porque ela é a pegadora-mor dos bias! E, além do mais, Shin Hye esteve bem no papel, cujo qual tirei a prova de que fica muito melhor em personagens mais determinados e fortes do que em mocinhas que não sabem o que querem, não entendem as coisas, estão sempre alheias à tudo e todas essas características que vemos em vários dramas. 


Lee Min Ho é Kim Tan, o bias da vez. Kim Tan é filho bastardo, herdeiro mais novo e exilado da família. Foi enviado que nem pacote no correio para os Estados Unidos a mando de seu irmão mais velho, com medo de ter a presidência da empresa usurpada pelo bastardo. Nossa, nunca vimos isso antes, né? Imagina! Kim Tan conhece Eun Sang por acaso e a abriga quando descobre que ela não tem como se manter no país. Este foi mais um dos protagonistas que eu amei odiar/odiei amar, afinal, é mais um daqueles pirralhos manjados, que pensam que são os machos-alfa, donos do universo e "vamos, tesouro, não se misture com essa gentalha!". Aliás, tenho sérios problemas com este tipo de personagem, pois eles são bem escrotos, só que aí eles começam a ser fofos e você, trouxa que é, começa a se derreter. E não tinha nem como resistir, era o Min Ho...


Ah, e tinha sabe o que? Kim Woo Bin fazendo a nossa alegria como Choi Young Do. Vou confessar que nunca tinha visto ele em lugar nenhum, mas, depois desse dorama, nunca mais quero largar esse pãozinho açucarado. Vamos focar de novo, volto a babar ovo pra ele outra vez quando for fazer resenha do Uncontrollably Fond. Young Do também é herdeiro, só que de uma rede de hotéis, o pai é extremamente violento e frio, a mãe foi embora por não aguentar o pai e, por este motivo, ele desfez a amizade do facebook com Kim Tan a mãe de Young Do pediu para Tan chamar seu filho para um adeus, porém, Young Do, idiota que era, achou que era zoeira do bastardo e não foi e, ao conhecer Eun Sang, se apaixona por ela. Young Do é o babaca da escola que a gente não faz questão de conhecer, mas, infelizmente, às vezes, acontece. Ele inferniza a vida de todo mundo, bate nas pessoas e arma planinho para tocar fogo no circo. Entretanto, no fundo, tudo isso é apenas uma forma de lidar com a dor do abandono. Infantil ou não, foi a saída que encontrou. 


Yoo Rachel/Yoo Ae - esse era o nome que aparecia na legenda e que eu entendia eles falando - era uma das nossas vilãs (ou erro cênico, como costumo chamar). Noiva de Kim Tan e quase meia-irmã de Young Do, é a pessoa que mais odeia Eun Sang, ódio este que não é tão eficiente na hora de pôr os planos de destruição em prática. Parceira de crime de Young Do, ambos fazem de tudo para conseguir separar os protas e, claro, falham com maestria. E percebe-se que ela tem um amorzinho enrustido pelo herdeiro Kim mais velho (e quem não?). No fundo do meu coração, fiquei com um ódio tão enraizado da cara dessa guria, que não consigo imaginar a atriz fazendo outro papel que não seja de mimada que temos vontade de arrastar no asfalto.


E tinha também o elenco de apoio, que era tão grande que, se fosse para falar sobre todos, daria tempo de fazerem um The Heirs 2! Tinha o pai do Tan, que era um velho terrível, a mãe da Sang, que era a personagem mais engraçada, as duas mãe e o irmão mais velho de Tan, a professorinha gata que era peguete do irmão do Tan, a mãe da odiozinha, o pai do Young Do, que também era um serumaninho terrível, a mãe do menino depressivo, o pai do melhor amigo da Sang e todos os coleguinhas da escola. Tinha tanta gente socada nas câmeras que tenho certeza absoluta no meu coração que mais da metade do orçamento do drama inteiro foi só pra pagar essa galera toda.


O drama em si não foi ruim. Foi divertido no começo e foi decaindo, até chegar no final e a gente assistir por obrigação, só para saber o que acontece mesmo. A dica valiosa é: não espere nada deste dorama e assista caso você não tenha nenhum outro que seja mais interessante em mente. "Ah, Mayara, mas é pior que Heartstrings?" Vai por mim, nada pode ser pior que Heartstrings. Aliás, duas coisas que eram indiscutivelmente maravilhosas: os cenários e a trilha sonora e o Min Ho e o Woo Bin, óbvio. Dá para se divertir? Dá. Dá para partir o coraçãozinho e sofrer um pouco? Dá também. Mas não é aquelas coisas. É apenas ok.

Mensagem subliminar:

Não dê o restaurante pronto, dê as louças pra lavar.