sábado, 7 de outubro de 2017

Dorama: Kimi Wa Petto/You're My Pet


Sinopse: Uma mulher encontra um homem machucado dentro de uma caixa em frente à sua porta e o deixa morar em sua casa contanto que ele seja seu cachorro.

Por já ter feito uma resenha do filme coreano lançado há alguns anos, tenho certeza de que algumas pessoas sabem do que história se trata. Entre o filme e o dorama, eu li boa parte do mangá e pude perceber com clareza os pontos onde cada obra é fiel ao original e onde elas entram em conflito, seja por pequenos detalhes ou por uma discrepância absurda. Mas não há dúvidas de que a construção de história deste josei (mangá destinado a mulheres) é uma das melhores que eu já li, por mais absurdo que o enredo dele pareça.


Iwaya Sumire é uma jornalista bem sucedida que, chegando próxima aos 30 anos, começa a sentir cada vez mais as pressões sociais destinadas a mulheres da sua idade: ela ainda é solteira, não tem filhos e, segundo as pessoas ao seu redor, tão fria que chega a assustar os homens. Ou seja, ela é uma mulher normal, que conquistou coisas por si e, por não aceitar migalhas oferecidas por homens classificadas como "amor" é julgada o tempo todo! Me parece um retrato bem verídico das mulheres atualmente...
A história começa com Sumire terminando um relacionamento de anos com um cara. Depois disso, ela determina a si mesma que para que se relacione com um homem, ele precisa ter os seguintes atributos: ser mais alto que ela, ter nível educacional mais alto que o dela e ganhar mais que ela. Chegando em casa no este mesmo dia, ela encontra uma rapaz machucado dentro de uma caixa em frente à sua casa e decide ajudá-lo. Obviamente, ele gruda nela e concorda em ser seu animal de estimação em troca de casa, comida e roupa lavada. Dentre as três obras, a personagem que mais me agradou foi a do mangá. Sumire é uma mulher decida, às vezes, parece não ter coração, mas só está sendo racional para não se decepcionar. Sem contar que autora teve a preocupação de não transformá-la em uma megera ou fazer com que fosse uma personagem odiável, pois Iwaya é uma mulher inteligente, agradável, muito profissional e séria. Ela não sorri, não chora e quase nunca demonstra raiva. Já no dorama, Sumire é uma mulher morna, não tem uma tonalidade de voz firme e nem uma presença forte. É uma pessoa indiferente e que causa indiferença em quem assiste.


Goda Takeshi é dançarino, é alguns anos mais novo que Sumire, mais baixo e não tem onde morar, por isso, aceita os termos de sua nova dona sem titubear. A partir deste momento, ele assume a identidade de Momo, o falecido cachorro de Iwaya, e para ele tudo é alegria ao lado de sua mestra. Takeshi se sente atraído por sua dona desde o início por ela ser quem é e também por demonstrar sentimentos apenas em sua presença, tanto que ele a deixa lavar seu cabelo sempre que ela está furiosa ou triste. Momo é o único personagem que eu gostei em todas as versões, afinal, ele é sempre divertidíssimo e fofo, no entanto, no mangá podemos perceber que, em determinados momentos, há uma diferença quando ele age como Momo e quando age como Takeshi, pois oscila entre uma personalidade brincalhona e uma mais séria e madura.


Hasumi Shigehito é pra completar o triângulo. Um cara morno, que faz coisas mornas, quando bebe fica meio assediador (vide o episódio da viagem da empresa com os pega na baixa de capim) e que os únicos motivos para estar na história são: amorzinho da adolescência da Sumire, ganha mais, é mais alto e de mesma educação que ela. Fora isso, Hasumi é totalmente dispensável na história. O RAPAZ É UM LEGUME! Nem quando ele descobre que Takeshi é passível de participação no páreo pelo amor de nossa heroína ele serve pra alguma coisa.


Shirotae Yuri é a amiga-conselheira de Sumire. Para o bem ou para o mal, Yuri está lá. Inclusive é ela que dá o pontapé inicial para que a mocinha comece a perceber o slave to love que já tá rolando e só ela que insiste em negar. Meio barraqueira, me pareceu bem mais convincente que a própria Sumire.


Fukushima Shiori é a vilãzona que não machuca nem as moscas. Às vezes fico me perguntando onde que eles acham esses vilões que nada fazem e nada acontece. Até porque, ao meu ver, uma história com este enredo já se desenvolve sozinho sem a interferência de um 4º elemento. Shiori é a primeira - fora Yuri - a descobrir que Momo, na realidade, é humano e tenta usar isso contra Iwaya. Só tem um pequeno problema: diversas são as oportunidades que ela tem de usar esta informação contra sua rival e não faz!

Como eu disse, a história é muito boa para ser ignorada. Salvo alguns pequenos erros, como a introdução de uma pseudo-vilã e aquela enroladinha básica no desfecho pra completar 10 episódios, o desenrolar é bom, com diálogos consistentes entre um "cachorro" e sua dona e situações bem próximas da realidade e ainda bem atuais, considerando a época que foi lançado tanto o mangá quanto o dorama. De todas as atuações, a de Sumire foi a que menos me chamou a atenção, apesar de ser uma personagem que eu pessoalmente gosto muito. Vale a pena conferir.

PS: saiu uma versão 2017 do dorama!

Mensagem Subliminar:

Homem gosta de ser tratado que nem cachorro mesmo.





Por que Hollywood insiste em acabar com ótimas obras?


Como vocês devem saber, a Netflix lançou o Death Note live-action. E, como já devem imaginar, estou aqui para falar dele. Isso é uma resenha? Não! O filme é tão ruim, que não merece nem isso, o que é, de fato, muito lamentável. Quem está lendo o blog pela primeira vez, conhecendo-o através deste texto vai achar que é só mais uma dessas páginas que a autora usa pra destilar ódio. Mas eu juro que não é, até porque já falei muito bem de vários filmes, doramas e alguns animês aqui. E não é porque é sobre uma história que eu gosto que eu vou defender. Muito pelo contrário: é agora que eu devo meter o pau!
Nos últimos tempos, como já deve ser do conhecimento da grande maioria de consumidores de cultura asiática, o ocidente descobriu que do outro lado do oceano havia muita coisa a ser desbravada, como moda, comida, comportamento, música e todo tipo de entretenimento. Essa cultura de "exportar" algumas inspirações para trabalhar em cima ganhou muita força nos anos 2000, no entanto, nos últimos anos, depois do kpop, dos bias, das coreografias e das regravações de músicas em inglês, o mercado não estava mais contente e precisava americanizar algo diferente, que não estava exatamente intocado, porém não estava completamente banalizado. Sim, estou falando dos mangás/animês. Mesmo que já existissem live-actions com uma qualidade não tão boa na própria Ásia, ainda assim, conseguíamos suportar por ser um material com aval e - muitas das vezes - com influência do próprio criador da história, ou seja, a história não sofria alterações que pudessem destruí-la por completo diante dos nossos olhos. Entretanto, com a venda dos direitos das obras originais para a América, tudo mudou. Não só os atores, que deixaram de ser asiáticos, como o jeito dos personagens, a ambientação, os acontecimentos e, com isso, o desfecho das histórias.
Logo, a adaptação livre se tornou a única forma de adaptação de uma determinada obra que podemos presenciar. E, com livre, eu quero dizer LIVRE MESMO porque praticamente a única coisa que sobra da obra original - em alguns casos mais graves, nem isso - é o título.
Todo este discurso introdutório faz parecer que tudo é só um blá blá blá infinito para chegar a lugar algum, mas não é. Já passou da hora de refletirmos sobre as coisas que Hollywood tem nos oferecido e como temos aceitado isso facilmente, apenas classificando alguns materiais como bons ou ruins de acordo com nosso gosto pessoal, ignorando completamente que algumas questões são bem mais profundas do que aparentam ser.
Pegando o caso mais recente de mega produção, temos algo que dizem ser Death Note, porém não acredito nisso porque não se parece em quase nada com a obra original. Quem assistiu e deve estar com a lembrança bem viva na mente da cena onde L aparece em frente à impressa para se pronunciar para Kira, mais especificamente. Se você é apegado aos mínimos detalhes como eu, deve ter notado que havia uma bandeira ENORME do Estados Unidos atrás. Considerando que originalmente a história não se passa nos EUA e, sim, no Japão, que sofreu terríveis ataques do primeiro durante a II Guerra Mundial, temos alguns pontos conflitantes. E, voltando ao filme americano, temos um L negro, em frente à uma bandeira dos EUA. Pode ser algo bom? Pode, entretanto, também pode ser uma imagem bem problemática se pensarmos sobre os tempos de segregação racial e o quanto as repressões policiais matam negros neste mesmo país ainda nos dias atuais.
O que eu quero com este texto é chamar uma discussão sobre essa recente "vontade" de fazer dinheiro em cima de obras orientais, mas não sem antes embranquecer os personagens, catequizá-los, transformá-los em algo próximo ao que conhecemos, evitando que tenhamos que pensar muito sobre o significado das culturas, as diferenças entre elas ou tenhamos que queimar neurônios decifrando cada símbolo de um produto. Isso é algo que acontece com Death Note. O fato de deslocar a história para o outro lado do globo faz parecer que jogaram o roteiro com o que realmente acontece no desenrolar do mangá/animê no oceano e tiveram que fazer algo as pressas que resultou em uma história morna, sem muito conflitos, com roteiro mastigado, que não prende a atenção e, de quebra, culpa a mulher por todo o mal causado durante a trama. Não vou entrar no assunto de representatividade feminina porque senão teria que falar sobre Ghost in the Shell e como a escolha da Scarlett Johansson foi um plano estratégico para vendar mais ingressos de cinema não por ser uma ótima atriz ou coisa do gênero, todavia ser alguém que mexe com o imaginário masculino.
Obviamente que quem não tem nenhum contato com movimentos que discutam sobre raça e gênero, não vai entender praticamente nada do que disse, muito menos analisar, vai apenas achar que sou só mais criadora de caso na internet.
Dito isso, deixo a reflexão por sua própria conta e risco.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Dorama: Goblin - The Lonely and Great God


Sinopse: Um goblin de 938 anos decide que é hora de morrer, mas, para isso, precisará encontrar sua noiva.

Evitei ao máximo fazer esta resenha! É ruim? Na verdade, é ótimo! Só estava evitando de escrever uma resenha sem nexo nenhum por culpa dos ataques de fangirl. A história é bem mítica, do jeito que os asiáticos costumam produzir vez ou outra para sair da mesmice aprende Globo!, mas é tão maravilhosa e tão bem feita, que você não chora só com os acontecidos. Você chora com o fim do episódio, com os personagens, com a trilha sonora e, claro, com o final do dorama...


Kim Shin era um guerreiro durante a Dinastia Goryeo, que foi traído pelo seu próprio rei e cunhado, envenenado por seu conselheiro. Cerca de 20 anos após sua morte, foi concedido a Kim Shin a oportunidade de se tornar um Dokkaebi (Goblin), que, dentre todos os "benefícios", está a imortalidade. De início, é tudo as mil maravilhas, porém, com o passar das dezenas, centenas de anos, Shin percebe que o que recebeu foi uma maldição por ter desejado tanto se tornar sua espada para fazer justiça em nome de seu rei, por isso, ele viu todas as pessoas que amava morrerem e não esqueceu nenhuma destas mortes nem um por um segundo. Para que seu sofrimento acabe, Kim Shin precisa encontrar sua prometida, pois somente ela será capaz de ver a espada cravada em seu peito e retirá-la para que possa enfim descansar.
Gong Yoo, como sempre, está ótimo, sempre cumprindo com seu papel, seja grande, seja apenas uma ponta. O homem é sorridente, sofrido, contido, extrovertido, bem vestido e engraçadíssimo quando na companhia do ceifador.


Ji Eun Tak é a noiva que o Goblin procurou durante toda a vida. Eun Tak é a clássica mocinha sofrida, que, apesar de todas as dificuldades, faz tudo que está ao seu alcance para ver todos felizes. A garota foi salva por Kim Shin antes mesmo de nascer, afinal, sua mãe foi atropelada quando grávida e o Goblin ouviu suas preces, salvando a vida de ambas ao perceber que a mãe não pedia por si. Obviamente, como todo drama que se preze, a mãe de Eun Tak morre, deixando-a órfã e à mercê de uma tia que a odeia. Neste meio tempo, a única companhia que a adolescente tem são os fantasmas que vê desde pequena e os mesmos sempre a dizem que ela é a noiva do Goblin. Quando finalmente o encontra e entende que é o próprio, ambos começam a desenvolver um relacionamento de companheirismos, já que são pessoas solitárias.
Kim Go Eun está, neste dorama, em toda a sua excelência de atuação. É possível ver em cada um de seus trabalhos a entrega que ela tem para com os personagens. Go Eun nos presenteia com uma personagem maravilhosa, que não fica enchendo o saco o tempo todo e que nos prova que é possível ter uma mocinha que é um amorzinho sem termos vontade de socá-la.


Temos também o lindo e maravilhoso Wang Yeo, nosso querido Ceifador. Óbvio que só de você ler o nome do personagem já é um baita spoiler se você ainda vai começar a ver! Para se tornar um Ceifador, é necessário que se co meta o pior dos atos da humanidade, segundo as divindades: o suicídio. Claro que este não foi o único ato terrível que Yeo cometeu durante toda a vida, no entanto, se tornar um Ceifador é uma espécie de castigo que eles precisam pagar durante cerca de 600 anos aproximadamente, na intenção de um dia poder descansar até que chegue sua vez de renascer novamente. Os caminhos da grande família se cruzam quando Ji Eun Tak e sua mãe deveriam ter morrido na noite do acidente e o Ceifador chega tarde demais para levá-las para o "descanso" e as reencontra somente nove anos depois. De todos os personagens, Wang Yeo é o personagem mais fofo e engraçado de todos, pois, apesar de seu passado nada legal, durante seu tempo como Ceifador, ele faz o possível para tornar a passagem das almas o mais agradável possível.
E, como se já não bastasse, pesquisei algumas coisas sobre Lee Dong Wook e me apaixonei. Só isso que tenho a declarar.


Sunny - ou Kim Sun, como é seu verdadeiro nome - é a melhor dona de loja de frango que a gente respeita. Também participante da grande família, irmã do Goblin, Sunny emprega Ji Eun Tak e ambas se tornam melhores amigas. Uma mulher pacata, que gosta muito de beber soju, solitária e que dificilmente recebe algum cliente em sua loja até a chegada de Eun Tak. Claro que estes não são os únicos adjetivos que podem ser atribuídos à Sunny, só que é muito melhor se eu deixar subentendido pra quem ainda vai assistir. Gosto de dar spoiler, mas não de destruir a vida das pessoas!
Ainda não tinha assistido nada com a cheirosa da Yoo In Na, mas provavelmente vou assistir pelo menos metade dos trabalhos dela, que, se forem tão bons quanto Goblin, já viro fanzona também.


E ainda, para completar o time das pessoas legais, temos Yoo Deok Hwa, o mais novo na linhagem de serviçais do Goblin. Deok Hwa é um garoto mimado, materialista, que usa ternos com combinações que chegam a serem ridículas, no entanto, no fundo, bem no fundo, tem um bom coração e está sempre disposto a ajudar os que o rodeiam. Um dos personagens mais divertidos e sem contar que é uma peça chave para o desenvolvimento do "plano material" e "não-material", se é que me entendem. Logicamente que ele não é uma divindade, todavia, não significa que ele não possa responder às vezes em nome de uma. Fica a dica.


O que vou dizer deste dorama que assisti, amo e considero pacas? Sinceramente, o que tenho a dizer é: AMEI AMEI AMEI! É uma história redonda, sem pontas soltas, sem coisas que ficaram subentendidas ou que podem ser interpretadas de forma errada. O único personagem que tive dificuldade de descobrir de quem se tratava porque não fica claro é a chamada vovó Sam Shin, afinal, ela é uma divindade do folclore coreano muito conhecida entre eles, porém nada que uma visitinha na wikipédia não resolva. As atuações são excelentes, o roteiro é muito bem redigido, com uma história que é perceptível o fato de ter sido pensada nos mínimos detalhes, os personagens secundários são de extrema importância e sua influência é essencial para o desenrolar dos novelos. Além disso, as locações de gravação são maravilhosas e não tem aqueles takes mega estranhos mostrando a mesma coisa durante dois longos minutos de vários ângulos diferentes.  É dramático, engraçado, romântico e épico na dose certa e tudo ao mesmo tempo. Nunca pensei que ia amar tanto um drama na minha, entretanto, isso é possível. Sim, Goblin é o dorama da minha vida, gente!

Mensagem Subliminar:

"Ninguém nunca morreu de amor", eles disseram. Ah, tá.



sábado, 4 de março de 2017

Animê: Kill La Kill


Sinopse: Uma estudante se transfere para uma nova escola na esperança de descobrir quem assassinou seu pai e vingá-lo.

Provavelmente o nome do animê não faz muito sentido, mas em uma pequena busca pela internet é possível achar algumas possibilidades de dar algum sentido: do japonês, Kiru (Kill) pode significar matar (キル), corte/cortar (切る) ou vestir/desgaste (着る), logo, em uma adaptação bem ralé para o português, podemos considerar como vestir para cortar ou vestir para matar. E o que isso tem a ver com a história? TUDO! Porque é exatamente isso que os personagens fazem. Além disso, quero deixar claro que para assistir tal animê é necessário a mente aberta para entender a história e estar ciente que tem MUITO ecchi!


Matoi Ryuko é uma colegial de 17 anos que se transfere para a Academia Honnouji após a morte de seu pai, o cientista Matoi Isshin, tentando descobrir quem é seu assassino. A premissa é manjada? Sim. A personagem é sexualizadíssima? Nossa, nunca tinha visto uma sexualização tão descarada na minha vida, porém tem uma razão plausível também inclusa no enredo. Certo dia, voltando para sua antiga casa, Ryuko cai em um depósito cheio de entulhos e uma espécie de uniforme gruda em corpo assim que ela deixa cair uma gota de seu sangue sobre ele. O que Ryuko não sabia é que este era o último trabalho de seu pai e feito sob-medida especialmente para ela. Ryuko é o tipo de personagem durona que a gente ama e é muito difícil largá-la, mesmo depois que já tenha acabado o animê. É uma garota carente de afeto, entretanto, muito corajosa, briguenta e agressiva. Ryuko é um exemplo de mulher a ser seguido, pois tem uma força interior e determinação invejáveis a qualquer ser humano.


Kiryuin Satsuki é a diva maravilhosa vilã que na verdade não é vilã, mas que a gente também ama muito. Satsuki é herdeira do conglomerado Kiryuin, que basicamente mandam em tudo apenas sendo donos de uma marca de roupas, REVOCS, e da Academia Honnouji. Satsuki é uma líder nata e com punhos de aço é capaz de conquistar o mais terrível dos exércitos ao lado de seus quatro fiéis escudeiros. Temida por todos, representa o mais alto escalão dentro da escola e responde por sua mãe dentro da mesma. No entanto, por baixo da casca, Satsuki é apenas uma garota triste e enfurecida que deseja que haja mais justiça no mundo e para isso terá que enfrentar a própria mãe, a representação do mal encarnado.


Por incrível que pareça, o uniforme de Ryuko, Senketsu, também é um personagem. De uma inteligência e cuidado para com sua portadora excepcionais, Senketsu é um personagem extretamente necessário e nada bobo, aliás, por vezes, ele se parece com a figura paterna que Ryuko sempre desejou ter mais presente em sua vida. Diferente das outras roupas fabricadas com o que chamam de Fibras de Vida - que é uma espécie de linha alienígena com vontade própria e que dá poderes aos humanos quando utilizadas em quantidade miníma (cerca de 10% a 30% do total na peça) na produção de roupas -, Senketsu é um Kamui - Manto Divino -, ou seja, inteiramente feito de Fibras de Vida artificiais com o DNA de Ryuko para que apenas ela possa usá-lo. É bem difícil de explicar com detalhes como a conexão entre ambos funciona, todavia, é bem gostosinho de ver o relacionamento dos dois se desenvolvendo.


Mankanshoku Mako é a melhor amiga humana que Ryuko pôde arranjar. Mako é moradora da favela aos redores de Honnouji devido ao seu desenvolvimento escolar e é filha de uma dona de casa e um médico não licenciado. Ao conhecer Ryuko, já a considera como amiga e a leva para viver em sua casa, afinal, a mesma não tem para onde ir. Por vezes, dá a entender que as duas tem um relacionamento que vai bem além da amizade, porém nada que possa ser comprovado. Mako é a personagem mais engraçada e faz intervenções divertidíssimas durante as lutas de Ryuko, na intenção de sempre dar o melhor conselho a amiga. 


Eu até queria escrever sobre todos os personagens e o quanto cada um deles tem um espacinho especial no meu coração. Todavia, os personagens de apoio funcionam como protagonistas também, afinal de contas, todos tem um papel de muita relevância no desenvolvimento do roteiro, cada um contribui de uma forma ou de outra para que o enredo se torne completo, então, é impossível falar de apenas um ou de alguns sem falar de todos. Por isso, escolho por não entrar muito em detalhes sobre eles, apenas que são personagens muito bem construídos, todos a sua própria maneira de agir e pensar e é uma gama bem diversificada. Em tempos de histórias tão superficiais e mal desenvolvidas, Kill La Kill é um prato de cheio de surpresas mais que maravilhosas.


Confesso que, de início, fiquei bem receosa de assistir porque as figuras femininas são MUITO sexualizadas. Tipo, muito mesmo! E, considerando que vi várias garotas e mulheres fugindo deste animê, ele cumpre com seu público alvo (Seinen: homens entre 18 e 40 anos). Entretanto, há uma explicação plausível para que os chamados Kamuis quando sincronizados com o DNA humano assumem uma forma tão... minúscula. A ideia é que o usuário sinta-se confortável em uma roupa leve e entenda que, para usufruir de todo o poder da roupa, é necessário que faça dela sua própria pele, que ela seja seu próprio corpo e que não há vergonha alguma em mostrá-lo às pessoas. No começo é meio difícil de engolir isso, mas conforme a trama vai avançando fica mais fácil de compreender como realmente funcionam as coisas.


O traçado, as cores, as cenas de luta, a trilha e os efeitos sonoros são muito bem produzidos e envolvem o espectador na atmosfera com facilidade, prendendo a atenção até o último segundo - por exemplo, em todos os episódios, além do cabelo e das roupas de Ryuko que contém detalhes, a cor vermelha está sempre presente em algum momento, na intenção de representar a raiva, vingança, as mortes e o caos que as fibras de vida provocam no cotidiano de todos. Sem contar que o ritmo em que a história se passa é rápido, entretanto, não deixa passar o mais mínimo dos detalhes. São 24 episódios que acabam em um piscar de olhos e que eu não queria que tivessem acabado de jeito nenhum. Há também o mangá com três edições que foi lançado aqui no Brasil há dois anos e conta o começo da história do animê. E tudo o que tenho a dizer para finalizar este post é: UM DOS ANIMÊS MAIS MARAVILHOSOS E INESQUECÍVEIS QUE EU ASSISTI NA MINHA VIDA <3

Mensagem Subliminar:

Se não for pra sair vestida pra matar, elas nem saem de casa.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Filme: A Muse/Eungyo


Sinopse: Um escritor de 70 anos se apaixona por sua cuidadora de 17 anos.

A sinopse é muito curta para explicar afundo o turbilhão de sentimentos envoltos neste filme. É diferente de tudo que provavelmente já vimos em outros filmes que abordem este tipo de relação. Considerando que ele é um senhor de 70 anos e ela uma menina de 17, quero que tenham em mente que este sentimento que ele nutre por ela se chama pedofilia... sendo assim, deveria ser um filme mais tenso, desconfortável, mas a beleza e a suavidade com que é retratado não deixa a história cair em lugares comuns pelo menos não de início.


Lee Juk Yo é o tal senhor. Poeta de renome e professor universitário, é um senhor recluso e que conta com a ajuda de seu pupilo. Não temos grandes detalhes sobre sua vida, porém, já nas primeiras cenas, percebe-se que há muito ele já não sente os mesmos desejos que na sua juventude devido a alguns segundos em que ele observa sua nudez em frente ao espelho de seu quarto, como se quisesse entender o que há de errado ou por que não é mais como costumava ser. Tudo muda quando, ao chegar em casa, encontra a jovem Eun Gyo deitada em sua varanda. Mesmo que, em sua mente, fantasie sobre como seria ter uma relação com a jovem, vemos que o idoso também gostaria de poder ser mais jovem para viver tal relacionamento e daí surge o poema com o nome dela.


Eun Gyo é a colegial. Com ares de Lolita, temos uma espécie de releitura repaginada do clássico. Eung Gyo é uma menina que tem um jeito todo encantador de ser. Ela vai a escola e passa suas tardes trabalhando como cuidadora de Juk Yo, já que seu pupilo está ocupado demais para continuar trabalhando para ele. Em momento algum, é visível o interesse da menina em algum relacionamento mais sério com o senhor, afinal, ela ainda é uma adolescente e, apesar de se interessar pelo aprendizado e as vivências que Juk Yo pode compartilhar com ela, gosta de coisas feitas para sua idade, como homens jovens e saias curtas.


O engenheiro Seo Ji Woo é o parasita do triângulo amoroso. Alguém sem talentos e predicados que está disposto a tudo por reconhecimento, até mesmo cobiçar e roubar aquilo não é seu. A insensibilidade é muito presente também, vide as cenas do espelho e quando chama Eun Gyo para lhe levar alguns remédios em casa. Ji Woo é aqueles vilões de dorama que a gente ama odiar, mas que se fazem muito necessário para que a história saia do lugar. Seu fim é trágico, como é de se esperar, entretanto, ao mesmo tempo em que penso que foi o ótimo o acontecido, penso que também foi um desperdício, afinal, ele poderia ser usado para desenvolver a personagem de Eun Gyo em vários aspectos, uma vez que eles desenvolvem um tipo de contato mais próximo na parte final do enredo.


Praticamente não há elenco de apoio, apenas algumas pessoas que vem e vão para que as coisas aconteçam. E, aos poucos, nos envolvemos na trama, que, aliás, vai muito além de um idoso que se apaixona por uma adolescente. Há toda uma atmosfera de criar, aprender e usurpar algo, respectivamente nesta ordem. E em nenhuma cena há uma romantização das situações, apenas vemos Eun Gyo interessada em aprender mais com alguém que já está neste mundo há muito mais tempo que ela e Juk Yo imaginar situações, sofrer por não poder realizá-las, porém aproveitar os momentos que tem ao lado de sua musa. Todavia, os rumos que o enredo toma na parte final perdem um pouco a graça, pois não condizem totalmente um com outro e se tornam recursos mal aproveitados. O filme é bom, a montagem cenográfica é excepcional e há um tom atemporal na obra, como se pudesse se passar em qualquer época tranquilamente apenas mexendo em alguns ligeiros detalhes, sem contar que o trio de atores é maravilhoso, com destaque para Kim Eun Go, lógico.

Mensagem Subliminar:

O gramado do amigo sempre é mais bonito.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Filme: S Diary



Sinopse: Após seu último término de namoro, uma mulher vai atrás de seus ex para descobrir se a amaram.

Ultimamente estou vendo coisas em filmes e dramas asiáticos que jamais imaginei que veria algum dia em material do tipo. E não só nos mais atuais, como também nos mais antigos, como é o caso de S Diary e todo o seu poder de nos envolver em uma história de auto-descoberta mais adulta e triste. Talvez trazendo um pouco do clichê dos doramas colegiais, porém isso não é suficiente para tornar este filme tão ignorável ou dispensável em nossas listas. Aliás, quem pode perder a oportunidade de ter outro vislumbre de Kim Sun Ah sendo a Bridget Jones mais amada da Coréia?


Jini é uma mulher em meados dos 20 anos e procura amor e atenção em relacionamentos que não lhe oferecem nada mais que trabalhos domésticos e sexo. Após um término insensível, onde seu atual/ex lhe planta algumas dúvidas sobre quem ela é e como age dentro de um relacionamento, a mulher parte em uma busca minuciosa por suas lembranças para entender como eram seus outros três namoros e por que acabaram. Lendo seus diários e perguntando diretamente para seus ex-namorados, chega a uma conclusão que não queria, entretanto, era o esperado - por ela e pelo público. Kim Sun Ah, mais uma vez, está maravilhosa em sua personagem e se sai muito bem nas mais diversas situações. Trágica e cômica, consegue passar toda a tristeza, ansiedade e aflição durante as várias fases da juventude de Jini.


Goo Hyun é o primeiro crush de Jini. Maestro do coral da igreja em que Jini participava quando adolescente, sua vontade era de se tornar padre, o que veio a se tornar realidade algum tempo depois. Jini, na intenção de atrair os olhos do mocinho para si, mente para a mãe que tem dificuldades em inglês para que ele possa lhe dar aulas particulares. No maior clima de deixa a vida me levar, Hyun dá uns amassos em Jini quando estão sozinho em casa, no entanto, se arrepende, põe a culpa na garota e some. Claro que, quando Jini resolve se vingar dele, ela não deixa barato e lhe dá o troco a altura. 


Jeong Suk é o segundo namorado. Abusivo, sem emprego, exibicionista e ama apenas sua moto. Faz com que Jini faça desde o serviço doméstico até às compras para sua casa, por nunca ter comida em sua geladeira, e suas lições da faculdade. Jeong Suk é o clássico homem que quer apenas uma mulher que lhe sirva e "aqueça sua cama", se é que me entendem. Quando menos se espera, abandona Jini para se casar com a filha de um homem rico, que conheceu em um encontro às cegas. No futuro, ao se recusar a cumprir com as condições que Jini impôs a ele e aos outros, é um dos que mais sofre as consequências - engraçadíssimas, por sinal.


Yoo In é o a terceira decepção terceiro amor. É um grafiteiro de mão cheia e usa isso para conquistar Jini, fazendo um retrato dela em um muro na cidade. Diferente dos outros, Yoo In, inconscientemente, deixa claro desde o início as suas intenções para com Jini, afinal, era um filhinho da mamãe e não podia se envolver em um relacionamento sério sem que a matriarca lhe mandasse para o exército. De todos os relacionamentos, percebemos que este é um dos mais divertidos de Jini, pois Yoo In não era maduro e também não cobrava isso dela, apesar de que, geralmente, ela também fazia o serviço doméstico já que ele não se importava se a casa/porão estava suja ou não. O relacionamento acaba quando Jini "descobre" que ele a estava traindo, coisa que ela - e nós também - já imaginávamos.


Vendo os cartazes e alguns recortes de vídeos no youtube, a primeira impressão que se tem é que o filme é uma safadeza sem fim, mas não precisa tirar as crianças da sala, é tudo bem leve. Um dos poucos defeitos do filme foi a duração, que é de quase duas horas. Às vezes, se tornava cansativo e sem muito conteúdo para tal duração e, muitas vezes, pensei que estava próximo ao fim e não estava. Os personagens secundários foram apenas isso, secundários. Não interferiram muito na história e serviam apenas como suporte porque não tem como desenvolver um enredo deste com apenas uma personagem. E o que se torna louvável na produção é a evolução da personagem principal, que de adolescente vai a uma jovem adulta confusa, ansiosa e sedenta por vingança até chegar ao estágio de mulher que aprendeu com os próprios erros.

Mensagem Subliminar:

O que os olhos não viram e o coração não sentiu, a gente fuça até achar.

Dorama: Hello, My Twenties/Age of Youth



Sinopse: Cinco garotas dividem uma casa entre tapas e beijos.

Este é mais um da série: doramas que vou levar para a vida dentro do meu coraçãozinho. Não é triste nem feliz ou fofo demais. Tudo é equilibrado, na medida certa para não enjoar. As personagens são bem desenvolvidas e não temos uma protagonista e, sim, cinco, focando cada episódio em uma delas e em seus conflitos pessoais. A bem da verdade é que Belle Epoque ficou pequena para tantas tretas em alguns determinados momentos.


A história começa quando Yoo Eun Jae vai morar na pensão da tia ruiva Belle Epoque junto com as outras quatro meninas. Diferente das outras, a mais nova moradora é introvertida, do interior e não consegue, de primeira instância, se adaptar aos costumes das outras, principalmente de sua colega de quarto, a qual ela só chega a conhecer dias depois de ter se mudado pelo fato de que a outra é a mais velha, tem dois empregos e está terminando a faculdade. Eun Jae é misteriosa em relação ao seu passado, que só vem à tona quase no fim da história.
Confesso: nunca tinha visto Park Hye Soo em drama nenhum, porém a achei perfeita para este tipo de papel. Inúmeros foram os momentos em que senti pena de sua personagem ou quis apertá-la de tão fofa que ela era. Sem falar que é possível, aos poucos, se envolver com a personagem a ponto de sentir os conflitos da mesma como se fossem seus.


Jung Ye Eun é o tipo de garota mimada que todos os roteiristas acham necessário ter no enredo. A única diferença entre ela e as outras é que é possível amá-la, sim! Por mais terrível que isso pareça, Ye Eun é aquela amiga patricinha que, vez ou outra, temos vontade de socar, mas é impossível não gostar dela. A garota é fofa, toda moderninha e cheia de manias, no entanto, é uma das que mais sofre calada dentre todas. Jung está em um relacionamento abusivo e, considerando que apenas ela não consegue se dar conta, as amigas começam a ficar extremamente preocupadas com as situações que passam de corriqueiras à gravíssimas em um piscar de olhos. Foi a ilustração perfeita de o que é, como se origina e quais são as consequências da violência contra a mulher. Quanto a isso, a atriz, Han Seung Yeon, ex-KARA, foi excelente, demonstrando toda a ansiedade, medo e o transtorno os abusos físicos e psicológicos podem causar em uma pessoa.


Song Ji Won é a MIGA SUA LOUCA do rolê. Bebe todas, não é a pessoa mais educada do universo, sempre a caça de algum homem que aceite ser seu namorado, o único instrumento que ela é capaz de tocar é o terror... sem sombra de dúvidas, A MELHOR PERSONAGEM DO DORAMA INTEIRO! Ji Won faz jornalismo - por que será que gostei dela? -, trabalha no jornal da faculdade e é uma mentirosa compulsiva. Mesmo na personagem mais engraçada é possível notar que há um distúrbio, pois Ji Won é incapaz de entender que nem sempre as coisas são como ela quer que sejam, inclusive a realidade. A aprendiz de Nelson Rubens ok ok inventa história absurdas na intenção de tornar o cotidiano mais interessante sem medir as consequências que podem acarretar.
Apesar de extensa carreira de Park Eun Bin, não assisti nenhum dos dramas que ela fez, sendo que o mais popular foi Dream High - sim, nunca assisti Dream High! -, mas, depois de vê-la em Hello, My Twenties, entendi porque seu currículo é tão grande e começa tão cedo. Um ótima atriz, apenas isso.


Kang Yi Na parece rica. Tem tudo o que quer, na hora que quer, não trabalha ou estuda e é a única que tem um quarto só para si, ou seja, paga bem mais que as outras de aluguel. Assim como todas as outras, Yi Na tem um segredo, que não fica oculto por muito tempo: ela se prostitui. Sinceramente, não pensei que ia viver o suficiente para ver um dorama abordar a prostituição de uma forma cotidiana e não como uma mulher que está num determinado espaço, onde trabalha vendendo seu corpo ou informação para homens em filmes de ação. Yi Na é uma acompanhante de luxo. Em troca de uma vida confortável, a mulher assume o papel de namorada do homem até que este comece a lhe trazer problemas e ela tenha que embarcar em outro bom negócio. Simples assim. Ryu Hwa Young deu o tom de naturalidade necessário para a personagem, sem muitos excessos, tinha uma vida dupla, entretanto, uma não afetava a outra. Mais para o final da história, vemos Yi Na resolvendo lidar com as mesmas coisas que as amigas: trabalho e faculdade. Pois ela decidiu que era hora de deixar a vida que levava.


Por último, temos Yoon Jin Myung, a trabalhadora do grupo. Sendo a mais velha, é a que já está quase se formando, todavia, não para em casa não só pela faculdade, mas pelos seus dois empregos também, por isso, ela e Eun Jae se conhecem apenas dias depois de já estarem dividindo o quarto. Jin Myung sofre em silêncio. A mãe a ignora a anos porque passou os últimos seis anos cuidando do irmão em estado vegetativo; é constantemente humilhada em um de seus empregos pelo gerente; tem pouquíssimo tempo para descanso. Jin Myung é a guerreira que todo drama precisa ter. Aos poucos, pode-se notar os pequenos atritos que surgem entre Yi Na e ela, pois uma trabalha até a exaustão para ter o mínimo e a outra tem um vida fácil e regalada.
Han Ye Ri trouxe um ar mais sério a produção. Claramente mais velha que as outras companheiras de elenco,Ye Ri tem marcas de expressões bem condizentes com seus tipo de personagem e acrescenta e muito com seu tom pouco descontraído, muitas vezes, sisudo e alheia ao que acontece ao seu redor por não permanecer tempo suficiente em lugar nenhum para saber o que de fato está acontecendo.


Tem também os machos da produção. Um para cada uma, claro, porque toda panela tem sua tampa. Temos o colega de faculdade de Eun Jae, o macho escroto de Ye Eun, todos os homens com que Yi Na se relacionou, incluindo o amigo prostituto e o tiozão lá, o chefe escrotão e o cozinheiro salvador de dozelas de Jin Myung. Não vou detalhar sobre eles, afinal, o enredo também não faz isso. Os homens funcionam apenas como peça-chave para que as situações aconteçam na vida das mulheres, como agentes desencadeadores de determinados momentos. Eles têm lá sua importância, porém não são a parte principal, que é mais focada no convívio das meninas em si.


Apesar da leveza com que os episódios passam, o enredo tem muitas partes pesadíssimas, que nos fazem repensar como a vida adulta funciona. Os acontecidos encurralam as garotas de formas arrebatadoras e as deixam sem chão para que possam refletir e encontrar uma saída juntas, provando que andando sozinha elas vão bem, mas acompanhadas vão muito melhor. Talvez o roteiro não tivesse muitas pretensões além de ser interessante e entreter seu público durante sua exibição. Ou talvez ele fosse ambicioso o suficiente para provar algo para as pessoas e expor problemas que estão em nosso dia-a-dia e nem percebemos. Seja como for, é ótimo ter um revigor assim na teledramaturgia coreana.

OBS final: ~rufar de tambores~ foi anunciado no começo do ano (2017) que VAI TER SEGUNDA TEMPORADA, SIM!

Mensagem Subliminar:

Resolução dos problemas em geral: junta as amigas e bebe que passa.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dorama: Uncontrollably Fond (mais um post super mega power grande porque é necessário)


Sinopse: Um ator/cantor tenta consertar a vida de todas as pessoas ao seu redor e reviver uma paixão de 9 anos antes de morrer.


De alguma forma, o drama tem um ar de documentário mas óbvio que não é. A história gira em torno de uma celebridade, Shin Joong Young, com uma doença terminal e que resolve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para fazer com que as pessoas ao seu redor fiquem bem quando partir. Tirando este pequeno resumo o enredo principal, Uncontrollably Fond parte de uma premissa já bem manjada em comédias românticas: garota pobre e cara rico. Sim, já falei isso em The Heirs e em várias outras resenhas, pois este é basicamente o material que a Coréia mais produz como drama.


Shin Joong Young é o dito cujo. Ator/cantor e todas aquelas outras profissões que nós sabemos que as empresas obrigam seus contratados a terem, Joong Young largou a faculdade de direito para se tornar uma estrela e ter a chance de dar uma vida melhor para sua mãe, que, por sua vez, odiou a decisão do filho e não fala com o mesmo há cinco anos. Só esta parte da história já é suficiente para fazer com que tenhamos pena do pobre moço, porém ainda tem muito mais. Recentemente, descobriu que possui um tumor cerebral muito avançado, o que só pode significar uma coisa: vai morrer! Dada a sentença, Joong Young parte em uma busca incessante para se manter saudável e provar ao médico que ele estava errado, reconquistar sua mãe, continuar próximo aos amigos e, por último, mas não menos importante, reencontrar seu amor dos tempos de escola.
Kim Woo Bin estava brilhante no papel, como tenho quase certeza de está em todos os outros, entretanto, não custa nada pra gente relembrar sempre.


No Eul é a nossa batalhadora. Em uma versão 2016 de Go Eun Chan, No Eul é órfã, não tem ensino superior e, para sustentar seu irmão mais novo, aceita qualquer tipo de trabalho — ou suborno! Nossa prota da vez é o clichê da maioria das mocinhas juntas, tirando a parte de ser bobinha, afinal, quem passa a perna, muitas das vezes, é ela... conheceu Shin Joong Young nos tempos de escola e era apaixonada por ele, no entanto, guardou apenas para si pelo fato de que sua melhor amiga também alimentava tal sentimento. E, ao contrário do que outras resenhas/sinopses que li sobre o dorama, não, Joong Young e Eul não chegaram a namorar de verdade, era um relacionamento fake só para que ele pudesse fugir das garotas da faculdade, o que não significa que não pudesse gostar dela também.
E, diferente do que as pessoas pensam, não acho que Suzy tenha se saído mal no papel, muito pelo contrário. Creio que ela foi bem, me irritou em alguns momentos, mas qual mocinha não irrita vez ou outra, né, queridos? Como já disse na resenha de Big, Suzy é ótima no papel de mocinhas legais que não são tão bobinhas, lhe cai como uma luva.



Aí diante de personagens tão bem construídos, temos o indeciso de Choi Ji Tae, que no começo era Hyun Woo e depois descobrimos que só se fazia de pobre para se enturmar com No Eul e seu irmão... bombástico ou não, ainda tem mais: Ji Tae e Joong Young são irmãos, porém não de sangue! Como isso é possível? Vou entrar nisso em breve. Ji Tae, além de indeciso, é um personagem tedioso, nunca sabe o que está acontecendo e está sempre na sombra dos pais. O que tive toda vez que ele aparecia em cena? Vontade de surrá-lo. A parte boa é que na reta final ele garra vergonha na cara e começa a ter atitude. Sobre o ator não tenho nada a declarar, afinal, com um personagem deste não tem muito o que fazer, logo, não há como se destacar...



Yoon Jeong Eun foi uma das nossas vilãs. Sim, uma das porque temos uma pequena gama de vilões neste drama, acreditem ou não. Jeong Eun é uma garota rica, mimada, filha de um cara importantão da Coréia provavelmente além de político CEO porque lá só tem CEO e que é apaixonada pelo mesmo cara há 20 anos. Ji Tae é o nome deste cara. Ambos foram prometidos em casamento muito cedo graças a uma negociação de seus pais e ela estaria dando pulinhos de alegria se não fosse pelo surgimento de No Eul na vida do noivinho. Jeong Eun, por mais chata que seja, é uma peça chave na história por ter sido responsável pelo acidente que levou o pai de Eul a morte!
Nunca na história da Coréia Im Joo Eun me chamou a atenção, mas desta vez até consegui engoli-la em cena pelo fato de que sua personagem tinha alguma relevância no enredo e a equipe encarregada dos testes de elenco deveria direcioná-la para mais personagens revoltadinhos, ela é mais suportável quando está gritando e revirando mesas de restaurante.



Temos também a mãe de Shing Joong Young, Shin Young Ok. Uma mulher sofrida, que criou o filho sozinha devido às circunstâncias nada comuns: engravidou de um cara rico, sendo que ela era pobre. Quem era o cara rico? Choi Hyun Joon, o pai de Ji Tae. Young Ok foi uma personagem difícil de amar. Era visível o esforço de Joong Young para voltar às boas com a mãe, no entanto, a mulher não estava nem um favorável, uma vez que o filho desistiu de se tornar o promotor que ela sempre quis, na esperança de poder mostrar a Hyun Joon que pôde criar seu filho muito bem sozinha. De toda a forma, consegui entrar nessa atmosfera e compreender um pouco seu ponto de vista.



Choi Hyun Joon foi o personagem mais ambíguo de todos. Nele, é possível perceber as nuances mais obscuras de um homem de bem. É um promotor de renome, político e um pai de família dito exemplar. Quase um Bolsonaro da vida. Devido ao bom matrimônio a que tinha prometido seu filho, acobertou o crime de Jeong Eun e obteve apoio político em sua campanha muito bem-sucedida. Todavia, com o decorrer dos episódios, percebemos que Hyun Joon não é de todo mal, apenas um ser humano influenciável como muitos outros e que, pouco a pouco, começa a perceber a gravidade de seus atos. Tirando Kim Woo Bin, eu diria que Yoo Oh Sung foi o que melhor desenvolveu seu personagem, que tinha várias facetas, ora boa, ora má e é necessário muita desenvoltura para perambular entre um e outro sem que se torne caricato ou risível.



E temos a boss do bagulho todo, Lee Eun Soo. Esta mulher atormentou o juízo de todos até não poder mais. Ofereceu dinheiro para todo mundo, atropelou o próprio filho, fingia que estava com dor, mentia com a ajuda do médico que estava em situação grave... tudo que você possa imaginar essa barbiezinha fez. Eun Soo é esposa de Hyun Joon e mandante da quadrilha, vive jogando na cara do marido que ele só está na atual posição porque ela o pôs lá. Miga, só quero te informar que esta posição que você o colocou foi cilada! A personagem me irritou? Muito! Mas eu gostei? Claro que sim. Nunca vi uma vilã tão fogueteira em dorama! Quero mais dessas.



Fora toda a galera já citada acima, temos o elenco de apoio. E que elenco de apoio, minha gente. Como casal açucarado mais lindo e maravilhoso de todos os tempos temos No Jik, irmão de No Eul, e Choi Ha Ru, filha do casal bandidão da quebrada e irmã de Ji Tae/Joong Young fãzona deste último. Tivemos também a amiga de No Eul, Go Na Ri, e a equipe de Joong Young que foram de extrema importância para o andamento da história. Eram várias conexões entre os personagens, mas que funcionavam e não ficavam com significados perdidos ou esquecidos durante da trama.



No geral, Uncontrollably Fond é um drama que impressiona pela beleza dos cenários, pelas boas sacadas no roteiro, personagens bem desenvolvidos — olhas esses vilões! —, um ritmo bem próprio de contar a história e pela fotografia mais que maravilhosa. Em certos momentos, há uma decaída no andamento, porém logo se recupera e retoma de onde estava. A melhor parte foi que o roteiro cumpre aquilo que já estava previsto desde o início, sem plot twist sem pé nem cabeça. O casal principal foi uma combinação ótima visualmente e, mesmo que não tivesse uma química estrondosa em tela, tínhamos algo mais bem pensado: o fato de não haver tanto clima entre eles se dá por eles terem passado mais tempo separados do juntos desde que se conheceram. Juntos mesmo ficaram os dois últimos episódios, isso quando Shin Joong Young não esquecia até quem ele era!

Mensagem Subliminar:

Não faça ao seu vizinho que o seu vem a caminho.