quinta-feira, 13 de março de 2014

Lepo lepo: homens ou mulheres?


Antes que eu alguém apareça querendo me dar liçãozinha de moral, dizendo "ai, Mayara, não acredito que você vai falar sobre esse lixo!", eu digo cala a boca e lê até o final antes de começar a tirar as conclusões erradas.
À primeira vista, Lepo Lepo soa bem machista. Mas você já tentou analisar bem a letra? Eu não vou zoar desta vez dizendo "mas que letra?", juro. Apesar de toda a analogia a mulheres e muito sexo - vide o clipe, a coreografia e saca no look das dançarinas acima -, de certa forma, a música acaba se tornando um reforço para o feminismo, mesmo que de forma impensada.
Vamos analisar desde o começo e com calma, ok? Primeiro: como é dito desde o começo da música - fica repetindo até o final -, o cara é pobre, mai um pouco ele começa a receber bolsa família também, não tem carro, não tem teto e, se a mulher continuar com ele mesmo assim, é porque alguma coisa ela tá querendo e o que é fica bem claro, né? O cara canta 4 vezes no refrão só pra fixar bem!
Ok, agora vamos ao meu ponto de vista. Onde eu vi feminismo aqui? Acompanha minha linha de raciocínio: ele não deixa de que classe social a mulher pertence, a dele a gente nem precisa perguntar, claro, mas, pelo que eu vi em uma entrevista que ele deu durante o carnaval sobre a música ser uma "crítica social", creio que a mulher seja classe média alta e, levando em consideração o tipo de lingerie que as dançarinas apresentam no clipe, fica bem explícito que a vida financeira da mulher vai muito bem, obrigado, né? Enfim, esse não é ponto aqui. A parte em que eu quero chegar é a do "e se ficar comigo é porque gosta do meu ranranranranranranranran o lepo lepo". Quando chega nessa parte da música todo mundo já entendeu - ou não - que não é amor, não é interesse, não é cumplicidade e sim sexo. "Uau, Mayara, você tá me fazendo perder tempo pra falar uma coisa que eu já sabia?", calma que eu ainda não terminei. Gente, será que tá difícil de entender que a mulher tá por cima? O PSIRICO TÁ GRITANDO PROS QUATRO VENTOS QUE ELE - e todos os homens que cantarem esta música - SÓ SERVE PARA SATISFAZER OS DESEJOS SEXUAIS DA TAL MULHER! Pronto, cheguei no ponto que eu queria. Pois é, mulherada, parece que, mesmo inconscientemente, alguém concordou com as feministas quando o assunto é homem: mulher é o ser superior e homem só pensa e serve para o "lepo lepo".

domingo, 9 de março de 2014

5 filmes que eu assisti atualmente e estou recomendando ─ III

Eu não tenho nada para dizer de introdução hoje porque eu já me expliquei no outro post - espero já estar perdoada, né? -, então, vamos a lista com os nomes do original - e nem vou me explicar porque de toda essa antipatia com o português porque vocês já sabem.


American Hustle (David O. Russell - 2014)

Um dos grandes "queridinhos" do cinema e ao Oscar este ano. Eu não ia assistir esse filme, juro pra vocês. Mas aí como não tinham nenhum outro melhor passando e eu não queria acabar assistir Lego, acabei entrando na sala para assistir. Inclusive, beijo pra fofa da menina que me atendeu no balcão de ingressos, que foi bem simpática, ajudou a escolher os melhores lugares para assistir e ainda queria saber onde eu comprei minha bolsa - abstraiam. Neste filme, todo mundo é trapaceiro - ah, vá? - e um quer passar o outro para trás. É um filme comprido, quando você pensa que tá acabando já, na verdade, tá na metade ainda e o que você pensa que é uma verdade absoluta no filme, não é. O grande spoiler de tudo é que duas pessoas conseguem enganar e passar a perna em outras pessoas, ou seja, eles são muito bem sucedidos em sua trapaça. A trilha sonora é ótima e a Jennifer Lawrence finalmente me convenceu como atriz - não to dizendo que ela é ruim, apenas alegando que há atrizes melhores que ela. E quer um spoiler sobre a personagem dela? Passe o mouse por cima da frase aqui do lado: ela beija a Amy Adams! É um ótimo filme, sério.


Non-Stop (Jaume Collet-Serra - 2014)

Adoro este tipo de filme que começa no suspense de novela das nove. Aquele ar tipo quem matou Xena, a princesa guerreira? - oi? -, este tipo de filme sempre acaba se saindo muito bem, pelo menos, no meu conceito. Liam Neeson é um agente federal que pega um voo para Londres apenas pela fiscalização mesmo. De repente ele começa a receber sms de alguém que está dentro do voo também e quer 150 milhões de dólares. Enquanto o dinheiro não surge, a cada vinte minutos, o cara mata alguém lá dentro. Quem é? Não se sabe até os últimos minutos do filme. Spoiler: NÃO É A JULIANE MOORE! Eu fiquei boa parte da sessão dizendo pro meu amigo "é a Juliane Moore, cara" e não era - hashtagxatiada. É filme de ação, eu não gosto de ação, mas vi e era bom, por isso, eu recomendo até pra quem não gosta.


Pompeii (Paul W. S. Anderson - 2014)

Filme de gladiador, guerra medieval e afins são a minha praia, gente. E Pompeii foi um prato cheio para mim. Gente que sangra, gente que sofre, gente que é subornada, que tem sua aldeia destruída e blá blá blá. Este filme parece uma mistura de muitos outros, sabe? É como se fosse um Frankenstein do cinema, mas nem por isso é ruim. Já devo deixar bem claro, mesmo que desde o início o romance tenha a sua participação, não é por este motivo que o amor dos protagonistas deixa de ser romance de drama asiático com direito a um único beijo na trama inteira. Cara, juro, eles se beijam uma vez só. Quando eles tão se aproximando, já fazendo biquinho sempre acontece alguma coisa para eles não se beijarem. E, para mim, o final foi muito satisfatório.


Her (Spike Jonze - 2014)

É, não tá fácil pra ninguém mesmo.  Aqui temos a história de um escritor que se apaixona pelo seu novo sistema operacional, que tem nada mais, nada menos que a voz de Scarlett Johansson, linda e diva como sempre. É um filme bem diferente do que a gente está acostumado e, sinceramente, um dos melhores filmes que eu assisti. Deixa eu ressaltar que a Scarlett arrasou na voz. Gente, a atuação dela é de uma intensidade incrível, na tonalidade correta para cada momento, passando a alegria e a tristeza de Samantha a todo instante. Tudo que eu tenho a dizer: nunca a relação homem-máquina foi retratada de forma mais bonita ou mais inteligente do que neste filme.


This is the End (Seth Rogen e Evan Goldberg - 2013)

Ultimamente, virou modinha os filmes de comédia serem todos bem abestados, regados a drogas e sexo e claro que isso não é de hoje, mas o movimento começou a ganhar muita força nos últimos anos. E This is the End não foge a regra, claro. Todo mundo em festinha na casa de James Franco e de repente começa o apocalipse. De início, ninguém acredita, todo mundo acha que é só um terremoto qualquer, porém, quando o filme se desenrola, o grupo de amigos acaba acreditando que é mesmo o apocalipse. É um daqueles filmes sem muito fundamento. Você pode achar que há uma grande proposta em fazer o público acreditar que, sim, o apocalipse está próximo e tudo o mais - sinceramente, eu acredito -, mas não creio que este venha a realmente se o propósito do filme. A grande sacada é: vamos usar muitas drogas e fazer você rir de qualquer coisa que a gente disser porque comédia é isso, gente fazendo gente rir. Ponto final. Então, não fique procurando leite em pó em teta de vaca porque não tem, ok?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rough Play e a loucura artística


Eu ia fazer uma resenha para o filme, mas achei que seria comum demais para um filme controverso como este. Ah, confessa, fala agora aqui, só entre gente, você ficou esperando só para ver como é que o Lee Joon ia se sair naquelas cenas, né? Confesso que eu nem sabia do lançamento deste filme. Fiquei sabendo por acaso porque uma amiga assistiu e ficou o tempo todo comentando sobre comigo. Aí fui conferir, né? Nem sou curiosa...
E a minha surpresa foi muito boa. Ao contrário do que vocês podem pensar, não foi pelo o Lee Joon estava lindo no papel ou pelas cenas calientes. O filme é bom mesmo, do começo ao fim. É perturbador, do tipo que faz você ficar lembrando de algumas cenas durante algum tempo. Arrisco dizer que é marcante.
Desde que vi esse menino sensualizando na depressão do posto de gasolina - vide o gif abaixo -, descobri que ele era o top na balada da interpretação. Claro que nunca tinha dado muito crédito, pois, tirando o HeeChul, não sou muito a favor de k-idols que ficam se aventurando de drama em drama. A grande maioria deles só faz cagada em cima de cagada e, às vezes, fico meio envergonhada de tentar defender a minha arte. No entanto, com Lee Joon tudo é diferente. Já começo dizendo que fiquei toda orgulhosa quando vi ele dizer que foi o primeiro projeto que ele escolheu sozinho mesmo, que decidiu fazer porque quis. Aí já viu, né? Fiquei toda boba com o meu bias se revelando. Depois disso tudo, só tenho a dizer parabéns por ter escolhido um projeto tão ousado e, sobretudo, ter feito uma boa escolha.


Agora vamos falar do filme que já enchi demais a bola do Joonie lindo. O filme é intenso e não tem um ritmo muito gradativo. Obviamente, vez ou outra, você descobre que vai acontecer uma cena de tensão, afinal, sempre acabam sendo intercaladas com momentos mais lentos, como Oh Young, o prota da história, em premiações e lançamentos juntamente com os outros atores, como nas cenas sexuais, em que mostra o presente, a vida pessoal dos artistas como ela é de verdade e como eles são na frente de câmeras e repórteres.
Entretanto, nada, eu repito, NADA me deixou mais surpresa que os beijos do filme. Ok, era beijo técnico, literalmente, mas, não ficou naquela coisa sem graça de selinho ou mexer de bocas dormentes, como You're My Pet - desculpa, Jang Geun Suk, meu amor! Teve um momento no filme que pensei ter visto uma língua, mas aí voltei a cena e vi que era coisa da minha cabeça, que língua seria uma evolução muito grande, quase como tentar dar quatro passos de uma vez só.
Outra fato que quero ressaltar é que, mesmo que soe assim, se você não prestar atenção, Oh Young já tinha problemas com o estrelismo desde antes da fama. Sua indisciplina já vinha desde a pobreza, quando trabalhava no teatro e a peça em que trabalhava nunca era concluída enquanto ele estava no elenco, pois o bonito não seguia o roteiro e sempre acabava "incrementando" as cenas.
Rough Play é um bom filme e merece atenção,  dedique um pouco do seu tempo a conhecer o louco mundo das estrelas, tenho certeza de que não irá se arrepender. Todavia, não desligue o filme pensando que todos os atores, ou artistas no geral, são da forma como é retratado. E, sim, estou defendendo a minha classe, gente. Quer saber? Fiquem com o gif do Lee Joon mostrando toda a sua sagacidade aloucada.



domingo, 19 de janeiro de 2014

5 filmes que eu assisti atualmente e estou recomendando — II

Olha eu enrolando aqui de novo! Então, gente, hoje falta exatamente um mês para a data em que eu já posso dirigir, ser presa, etc. Por isso, pra comemorar, eu resolvi fazer uma daquelas listinhas inúteis, que pode ser - não sei - que faça alguma diferença na sua vida em um futuro não muito distante. Sim, eu tenho assistido mais coisas agora que eu não faço mais nada da vida - sinceramente, estou pensando em me aposentar já... Abstraiam, é brincadeira, ok? Vamos a lista com os nomes no original? Eu não sei vocês, mas eu continuo achando os nomes adaptados para o português horríveis o suficiente para dizer que não tenho nada pra dizer sobre eles!


The Great Gatsby (Baz Luhrmann - 2013)

Se tem alguém aqui que seja tão apaixonado quanto por coisas antigas, principalmente anos 20 ou 50, este é o seu filme. Vocês não imaginam o quão representante do brilho, do glamour, das tiaras com penas e brilhantes caríssimas e meninas não tão comportadas assim com seus cabelos curtos este filme é. Tudo nele é lindo, T-U-D-O! Fiquei tão in love com esse filme que comprei o livro... mas isso são outros quinhentos. Enfim, a história é totalmente narrada do ponto de vista de Nick Carraway, o novo vizinho de Jay Gatsby e é com a visão de Nick que enxergamos tudo que acontece na história, desde a história do pobre Gatz, que aos dezessete anos decide se tornar Jay Gatsby, até a linda história de um amor de verão que dura há mais de 5 anos. Uma fotografia linda e com uma trilha sonora mais atual, que tenta trazer um pouco o filme para a nova realidade das festas de gente rica, bonita e... brilhosa.


Romance (Guel Arraes - 2008)

Não sei se vocês já sabem disso, mas eu cresci com uma imagem ruim do cinema brasileiro. Sabe, sempre pensando em filmes cheios de drogas, tiros, tráfico e muito sexo, como se a vida do brasileiro fosse baseada só nisso. E, ultimamente, eu tenho me orgulhado muito com o que tenho visto. Ok, esse não é o filme mais atual do mundo, mas eu só consegui assistir ele esses dias quando passou na globo porque pra baixar eu não achava em lugar nenhum. Claro que teve um motivo forte para eu assistir o filme: Wagner Moura. Gente, para, esse homem é o ator brasileiro da minha vida! Ele é intenso, ele se entrega e a voz rouca é só um combo da obra completa, né? O filme fala da grande paixão da minha vida: teatro. Os dois personagens principais são atores - jura?! Só no filme que eles são atores? - e passam a ter um romance - ah, vá? - conforme os ensaios vão passando, claro que nem tudo são flores, e a vida dos pombinhos se complica quando Ana arranja um trabalho com atriz em uma novela. Vale a pena conferir, é maravilhoso. Além de sensível e muito bem trabalhado, o filme é uma espécie de spin-off do que acontece com os atores quando estão fora dos palcos ou longe das lentes das câmeras.


Minha Mãe é uma Peça (André Pellenz - 2013)

Se eu tivesse que dizer qual foi o melhor filme de comédia que eu assisti e recomendaria para todo mundo, com certeza, seria este. Vocês não compreendem o nível de risadas deste filme. É master, minha gente. As mães do mundo inteiro estão muito bem representadas por Paulo Gustavo, que em uma atuação curta - o filme tem 1h18min - mostra que todas as mães são iguais mesmo, desde a forma de advertir os filhos até a forma de gritar com eles. E os outros atores, principalmente Marina Xavier e Rodrigo Pandolfo, que fazem o papel dos dois filhos mais novos e que ainda moram com dona Hermínia, em uma ótima atuação mostram que os filhos também tem sempre o mesmo padrão de resposta, de atitude e reação. Ou seja, você é igual aos outros filhos do universo inteiro.Sem dúvida alguma, este é um filme pra se assistir acompanhado da própria mãe, óbvio. Destaque para as cenas em que dona Hermínia interroga o filho e o novo peguete dele e uma das cenas finais em que ela xinga, junto da empregada, a mulher piriguete do ex-marido.


 The Broken Circle Breakdown (Felix Van Groeningen - 2012/2013/2014)

Primeiro de tudo, deixa eu explicar por que tem três anos ali em cima: 2012 foi o ano de produção do filme; 2013 foi o ano de distribuição e lançamento dele no exterior, principalmente em festivais de cinema, como o Berlim, o qual ele foi campeão de melhor ficção eleito pelo público, e também foi o ano em que eu consegui assisti-lo; 2014 é o ano em que ele foi lançado aqui no Brasil - a estreia aconteceu sexta-feira, 17/01. É um filme suave e sensível em algumas cenas e meio agressivo em outras. O começo é só alegria, só sorrisos e tudo o mais. No entanto, depois que a filha do casal nasce e, alguns anos depois, eles descobrem que a menina está doente e é aí que começam os desentendimentos e o clima começa a ficar pesado. Tem uma trama bem desenvolvida, envolvente e dramática. O título brasileiro é Alabama Monroe - o porquê do nome ser esse só dá pra entender mais pro final do filme, o que eu achei uma idiotice adaptá-lo assim - e está no cinema fresquinho.


Carrie (Kimberly Peirce - 2013)

Apesar das muitas críticas negativas e medianas ao filme, eu gostei, ponto final. Carrie é um daqueles filmes que fazem um milhão de remakes, novas versões com outros nomes e relançamentos do livro original e, no fim, sempre é a mesma coisa. Algo que eu consegui notar nas muitas críticas que li é que a grande maioria comparou com a primeira versão do grande Brian de Palma. Por favor, minha gente, Kimberly é Kimberly, Brian é Brian. Não há comparação, cada um tem a sua forma de contar a história e é isso. A única coisa que eu quero deixar bem claro que eu ficou muito explicito para mim foi a dificuldade que eu vi em Chloë Moretz, um dos grandes nomes juvenis cinematográficos, isso eu não tenho nem como contestar, em interpretar uma jovem comum. No começo filme, quando ela é apenas uma menina normal, meio esquisita, mas normal, ela parece meio travada, não se entrega muito para o personagem, deixando a visão que temos da personalidade de Carrie meio limitada, como se dissesse "Carrie é isso e pronto, engulam!". Parece que o negócio dela é mesmo ser anormal, fazer coisas voarem, chutar bandidos na calada da noite de peruca roxa, se passar por uma menina de 12 anos e se alimentar de sangue humano. Ser humana normal não é a praia dela mesmo. Fora isso, o filme é ótimo e os efeitos especiais dão um banho na versão de 76. Sem falar na ótima interpretação de Juliane Moore, como sempre, competentíssima.

Vocês já notaram que o último filme da lista sempre fica com um paragrafo enorme? Não é proposital, mas eu tenho que parar com isso. Chega, gente, estou me retirando do recinto. Beijos.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Filme: Confessions


Sinopse: Uma professora deseja vingança pela morte de sua filha, causada por dois de seus alunos.

Quem lê este blog há um tempo ― ou já leu todas as resenhas que já postei ― sabe que não sou muito fã de japoneses quando o assunto é atuação. Hipérbole demais, fraco demais, morno demais. É sempre assim. Mas não desta vez! Sim, achei um filme japa que me agradasse e não estava contando que isso ia acontecer. Claro que tem muita gente no elenco deste filme ― e todos são importante para o desenrolar da história ―, porém só vou falar dos principais mesmo.


Moriguchi Yoko é professora que acabou de se demitir. Há algum tempo ― muito pouco, pelo que consegui perceber ―, perdeu sua filha de quatro anos em um afogamento acidental. No entanto, ela sabe que não foi acidental e sabe quem foram os culpados pelo assassinato de sua filha. Em seu último dia de trabalho, resolve dividir com seus alunos sua versão dos fatos e o que fez com os culpados. Por incrível que pareça, no começo, a atuação não muito expressiva e até meio parada da senhorita Matsu Takako não me impressionou muito, porém, depois, comecei a sentir a tensão e a distância com que ela tratava os fatos quando não relatava o seu relacionamento com a filha, fazendo com que percebesse qual realmente era a atmosfera que ela ficara encarregada de implantar.


Watanabe Shuya é o grande criminoso da coisa toda. Ok, ele só tinha treze anos, só que isso não faz dele menos criminoso. Shuya é o clássico menino complexado da história, tudo o que faz é justificado pela falta que sente da mãe e o quanto quer impressioná-la, mostrando a ela que os laços de sangue fizeram dele uma pessoa tão genial quanto a própria. É perceptível em Shuya a incansável busca por atenção e reconhecimento, não só da mãe, mas de todos que o cercam, fazendo com que tornem-se vítimas de seus pensamentos e planos sádicos. Ele convence a Naoki em pôr seu plano em prática, afinal de contas, ele precisava de alguém que fosse testemunha e espalhasse para todos suas peripécias.


Shimomura Naoki é um menino, que, até então, era bonzinho e de repente enlouqueceu de vez. Naoki queria ter amigos, pois era ignorado por todos os colegas de classe, por isso, juntou-se a Shuya achando que ele realmente queria ser seu amigo. No entanto, Naoki acabou se tornando outra vítima de Shuya, que, por sua vez, não conseguiu completar seu plano de matar a única filha da professora com sua invenção e teve o serviço finalizado por Naoki. Na primeira vez em que os atos de Naoki são apresentados, dá-se a entender que ele não queria matar a garotinha, mas, com o desenrolar da trama, entendemos o que realmente queria e, ao não conseguir isso, quis se vingar de quem quer que cruzasse seu caminho.


Aqui está o que se tornou o grande mistério para mim, Kitahara Mizuki. Até agora não consegui compreender se a tal Lunacy era ela ou se Mizuki era apenas mais uma dos milhões de admiradores que a pequena assassina tinha adquirido após matar sua família inteira com cianeto e relatar tudo o que presenciou em um blog. Mizuki queria se matar. Por quê? Não sei. Só sei que ela fazia parte de um grande número ― pelo que eu notei ― de jovens que queriam se matar. Que futuro promissor, hein, galera? Mizuki não foi uma grande estrela durante o filme, era apenas aquela coadjuvante que sempre tinha um ombro amigo a oferecer para Shuya, que o compreendeu sempre e entendeu quais eram as reais intenções da professora Moriguchi.


Ultimamente estou muito séria quando falo sobre as coisas que assisto ou leio, então, vou tentar não ficar tão séria assim aqui. A trama do filme é bem construída, pouco a pouco, conseguimos perceber quais são as reais intenções e objetivos dos personagens e, com exceção de Kitahara, compreendemos as várias razões que os levam a crer que aquelas são suas melhores opções. De início, é difícil entendermos o lado de cada personagem e nos colocarmos em seus lugares, tentar pensar igual ou semelhante a eles. Não é uma tarefa fácil. É perturbadora, na verdade. E, por um minuto, é impossível não pensar em como podem existir pessoas assim ou se realmente existem pessoas assim, mas, depois daquela notícia uns tempos atrás sobre um garoto chinês que vendeu um dos rins no mercado negro para comprar um iPhone e quase morreu de insuficiência renal, eu acredito em tudo! Entretanto, um ponto altíssimo do filme são as cenas em que mostram a ignorância dos jovens, que são maldosos e, ao mesmo tempo, muito inocentes com relação a assuntos sérios e de extremam importância, como a diferença entre AIDS e HIV, vias de contágio ― vide a cena em que uma aluna tranca a respiração quando sabe que Moriguchi tinha uma relacionamento com um portador de HIV ― e o velho tabu de que pessoas saudáveis não podem ter relacionamentos com soropositivos.  A fotografia recheada de cores frias e mórbidas, os cenários, a interação e ligação dos personagens e suas história em si são um show a parte, óbvio... Com isso, só tenho que dizer assista Confessions, será um dos melhores filmes japoneses que irá assistir na sua vida, sem dúvida alguma.

Mensagem subliminar:

A dinastia e os samurais não desapareceram completamente. A diferença é que não se usa mais espadas.