terça-feira, 19 de dezembro de 2017

[AVISO DE GATILHO] Precisamos falar sobre saúde mental


Eu queria poder vir aqui para fazer mais uma resenha, com um tom engraçadinho, fazer algumas pessoas rirem e decidirem se vão ou não assistir determinado drama. Uma pena que não é isso!
É com muito pesar que hoje venho para falar sobre a perda de mais um k-idol, JongHyun. Pra quem ainda não sabe, SHINee foi a primeira boyband sul-coreana que eu ouvi na minha vida e, por boa parte da minha adolescência, fui Shawol - atualmente não me considero mais por N motivos, inclusive acreditar piamente que a SM tá perdida e tá levando os grupos verdadeiramente bons pro fundo do poço, vide os casos do Super Junior também! Entretanto, isso já é assunto para outro post, quem sabe. Mesmo que não fosse o meu bias - oi, Taemin <3 -, ainda assim, ele fazia parte de um grupo que eu amava e era uma das melhores vozes, sem sombra de dúvidas. E perdê-lo foi horrível, por mais que eu já não seja mais Shawol e nem mesmo possa me considerar uma kpopper decente.
No entanto, a pior parte é ver como as pessoas são extremamente ignorantes quando o assunto é saúde mental. Uns dizem que é besteira, outros simplesmente acham que "eles sabiam onde estavam se metendo" é um argumento plausível para discussão. O que parece não entrar na cabeça da sociedade é: doença mental é algo grave, se não tratada corretamente, pode afetar todo o seu corpo e, no pior dos casos, ser letal! Acho que só este fato já deveria ser o suficiente para as pessoas se tocarem e pararem de fazer brincadeiras ou piadas com os problemas dos outros.
Dia desses, tive vontade de pesquisar sobre o caso da Minami Minegishi, aquela menina do AKB48 que há uns 4 anos foi excomungada publicamente pela mídia e pela sociedade por supostamente ter um vida pessoal que inclua homem e sexo! Pois é... segundo a própria, o empresário do grupo não estava sabendo de seu pedido de desculpas ou de seu cabelo recém raspado, como forma de mostrar vergonha e arrependimento, mas eu, sinceramente, DUVIDO que aquilo não tenha sido arquitetado com empresário e agência das meninas para mostrar como qualquer passo fora da linha é punido e que eles realmente fazem vista grossa sobre o que as meninas fazem ou deixam de fazer, como se fosse um ato louvável da parte deles impedir que adolescentes e jovens adultas tenham uma vida pessoal. E, pasmem, há pessoas que realmente usam como argumento o famoso "estava no contrato, elas estavam cientes", quando, na verdade, Minami, assim com todas as outras, tinha apenas 13 anos quando assinou contrato - vou deixar o link aqui pra que vocês riam de desespero igual a mim quando percebi que esse tipo de pessoas realmente existe.
Ela é só um dos muitos casos das coisas que acontecem não só com mulheres, todavia, com homens, que em busca de fama, de uma carreira, do sonho de suas vidas, assinam contratos que os condenam a solidão. Solidão esta que financia a prostituição, a indústria farmacêutica e, não poucas as vezes, o tráfico de drogas. Por exemplo, no Japão, é muito comum os chamados Host Clubs, lugares onde homens e mulheres podem contratar serviços de acompanhantes. Se engana quem pensa que estas pessoas vendem o corpo como é aqui no ocidente: o que elas vendem é o seu tempo. São contratadas para jantar, ir ao cinema, conversar, ir karaokês e fliperamas. E sabe qual é a data em que estes serviços bombam? Datas comemorativas, como o dia dos namorados.
No caso dos idols, a solidão os leva a caminhos mais obscuros, como as doenças mentais, que acarretam no abuso de remédios controlados, às vezes, pela falta de tratamento adequado. Sem contar que a grande especulação sobre o que eles fazem ou deixam de fazer por parte da mídia e a cobrança constante para que sejam bons exemplos perante os fãs faz com que procurem alívio de várias formas diferentes, que, em alguns casos, acaba por ser o suicídio.
Nos últimos anos, a indústria do entretenimento tem perdido vários talentos, como aconteceu com  a atriz Jang Ja Yeon, o dançarino/coreógrafo e cantor Park Jung Min e, ontem, Kim JognHyun. Isso que nem estamos colocando em pauta as tentativas falhas, como, citando um caso recente que veio a público, T.O.P. do BIGBANG.
O questionamento que eu deixo para reflexão é: quantos mais precisarão morrer para que se repense o modelo de vida imposto para estas pessoas?